A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) promoveu, nesta segunda-feira (13), uma cerimônia em frente ao Anexo Deputado Aldo Schneider para marcar os 125 anos do nascimento da educadora e política Antonieta de Barros. O evento também celebrou as duas décadas e meia do Programa Antonieta de Barros (PAB), instituído pela Lei 13.075/2004, de autoria da Mesa da Alesc.
O PAB é voltado para jovens em situação de vulnerabilidade social da região metropolitana de Florianópolis. A seleção dos participantes ocorre anualmente por meio do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE). Desde sua implementação, cerca de 700 jovens, em sua maioria negros, tiveram a primeira experiência profissional no mercado de trabalho por meio do programa.
A criação do programa foi motivada por um contexto de violência que assolava as periferias da capital catarinense no início dos anos 2000. Na época, 122 homicídios foram registrados, atingindo principalmente jovens negros. A pacificação envolveu ações de segurança pública e a atuação de movimentos sociais, como o Fórum das Mulheres Negras e o projeto Pode Crer, liderado pelo padre Vilson Groh nas comunidades do Monte Serrat e Mocotó. Essas iniciativas ganharam repercussão na Alesc, resultando na estruturação do programa de estágios.
A pesquisadora Jeruse Romão, biógrafa de Antonieta de Barros e ativista do movimento de mulheres negras, foi convidada para ser a primeira coordenadora do PAB. Segundo Mirian Lopes Pereira, coordenadora de Estágios Especiais da Alesc, a figura de Antonieta é uma fonte de inspiração para o trabalho de inclusão social realizado com os jovens. “Ela foi uma mulher fantástica, inspiradora, que serve de exemplo e estímulo ao nosso trabalho de fomentar a inclusão social de jovens de comunidades, de famílias em condições de vulnerabilidade social”, afirmou.
Entre os participantes da homenagem estiveram Marilu Lima de Oliveira, servidora da Alesc e ex-coordenadora do PAB por 11 anos, e a líder comunitária Maria de Lourdes da Costa Gonzaga, conhecida como dona Uda Gonzaga. Aos 88 anos e com restrições de mobilidade, Uda fez questão de comparecer. Ela é uma figura emblemática no Monte Serrat, onde se formou normalista no Instituto Estadual de Educação (IEE) e pedagoga pela Udesc. Lecionou na comunidade desde os tempos em que a única sala de aula era a Escola Isolada do Morro da Caixa. Também fundou a Associação das Mulheres Negras e foi a primeira mulher a presidir a escola de samba Embaixada Copa Lord, em Florianópolis.
Conhecida como Primeira Dama do Morro da Caixa, Uda destacou que Antonieta, que foi diretora do IEE durante seus anos de estudante, “serviu de exemplo para muitas mulheres negras e para os jovens, pelas conquistas de espaços e realizações”.
Fonte: Assembleia SC








