O Distrito Federal oferece absorventes gratuitos para mulheres cis, pessoas trans e não binárias que menstruam e estão em situação de vulnerabilidade, com idade entre 10 e 49 anos. A retirada pode ser feita nas unidades básicas de saúde (UBSs) e hospitais da rede pública. Estudantes de escolas públicas com registro no Cadastro Único (CadÚnico) também têm direito ao benefício.
De acordo com a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF), cerca de 320 mil pessoas se enquadram nos critérios estabelecidos. Desde 2025 até o fim do primeiro trimestre deste ano, foram distribuídos mais de 1,4 milhão de absorventes. A iniciativa busca garantir dignidade menstrual e promover educação em saúde para combater estigmas e desinformação.
Para receber os absorventes, é necessário que a situação de vulnerabilidade seja avaliada por um profissional de saúde durante o acolhimento. Mesmo quem não possui cadastro no CadÚnico pode retirar o material, desde que a condição seja identificada.
A gerente de Atenção à Saúde de Populações em Situação Vulnerável e Programas Especiais da SES-DF, Denise Ocampos, destacou que a oferta gratuita contribui para prevenir infecções, reduzir estigmas e sofrimento. “Aumenta a permanência escolar e a inclusão, além dos aspectos econômico e estrutural, reduzindo as desigualdades”, afirmou.
Segundo a gestora, um dos principais desafios é o desconhecimento da população sobre a disponibilidade do benefício e quem pode retirá-lo. Barreiras culturais, como estigma e vergonha, além de dificuldades de acesso aos pontos de distribuição — relacionadas a tempo, transporte e dinheiro — também dificultam a adesão.
O programa nacional Dignidade Menstrual realiza ações educativas e distribui absorventes gratuitamente para pessoas em situação vulnerável. Na UBS 15 de Ceilândia, por exemplo, são desenvolvidas atividades voltadas para menstruação e saúde sexual nas escolas da região.
A médica de Saúde da Família e Comunidade Vilma Gomes reforçou a importância da medida educativa para ampliar o diálogo sobre o tema. “Muitas crianças não conversam sobre menstruação em casa por diversos motivos, especialmente pela dificuldade dos responsáveis em abordar ou explicar o assunto”, comentou.
Segundo Vilma, os ciclos menstruais têm começado cada vez mais cedo, gerando despreparo, dúvidas e medo. Durante as ações na UBS 15 de Ceilândia, as profissionais explicam a menstruação de forma acessível e didática, mostrando como usar e descartar o absorvente. Para incentivar o cuidado e o diálogo, a unidade também prepara kits com sabonete líquido e informações. “Por meio dessas atividades, notamos que as meninas sentem mais liberdade para perguntar sobre o tema”, afirmou Gomes.
Fonte: Metrópoles







