A campanha Julho Dourado, instituída pela Lei Estadual 18.764/2023 e reforçada pela Lei Federal 15.322/2026, busca educar a população sobre as zoonoses – enfermidades que circulam entre animais e pessoas – e promover a adoção consciente de cães e gatos abandonados. Especialistas e protetores enfatizam que informação, prevenção e posse responsável são pilares essenciais para a saúde pública e o bem-estar animal.
Zoonoses são doenças provocadas por vírus, bactérias, fungos ou parasitas que podem ser transmitidas entre animais e seres humanos. Exemplos comuns incluem raiva, leptospirose, toxoplasmose, leishmaniose e esporotricose.
A transmissão ocorre por mordidas e arranhões de animais infectados, contato com fezes, urina ou secreções, ingestão de água ou alimentos contaminados, ou ainda por picadas de mosquitos, pulgas e carrapatos.
Para proteger os animais, é fundamental manter vacinação e vermifugação em dia, controlar parasitas externos e realizar consultas veterinárias periódicas. Cuidados de higiene, como lavar as mãos após contato com pets, recolher fezes corretamente, manter ambientes limpos, eliminar água parada e descartar lixo de forma adequada, reduzem os riscos de transmissão. Ao surgirem feridas, lesões na pele ou alterações de comportamento nos animais, deve-se buscar imediatamente um médico-veterinário; em caso de suspeita de infecção em humanos, a orientação é procurar uma unidade de saúde.
A guarda responsável salva vidas: animais bem alimentados, vacinados, castrados e com acompanhamento veterinário têm menos chance de adoecer e espalhar doenças, protegendo a comunidade.
Dentre as zoonoses, a esporotricose preocupa especialmente em Santa Catarina. Em Florianópolis, entre 2021 e 2025, foram registrados 75 casos da doença, geralmente associada a felinos. Em humanos, a infecção costuma ocorrer por arranhões, mordidas ou contato de feridas com animais infectados, solo ou vegetação. Inicialmente, surge um pequeno caroço indolor, similar a uma picada de inseto, em mãos, braços ou rosto; depois, pode evoluir para úlcera e nódulos ao longo dos vasos linfáticos. O diagnóstico precoce é crucial, pois em pessoas imunocomprometidas a doença pode atingir pulmões, ossos e articulações, causando febre, dores e falta de ar. Mateus Ribeiro Gomes, da Diretoria do Bem-Estar Animal de Florianópolis (Dibea), alerta que qualquer ferida suspeita nos animais deve ser avaliada imediatamente no hospital veterinário ou com a Dibea.
A protetora Rosa Elisa Villanueva, que atua em Florianópolis, afirma que o fungo Sporothrix spp. ocorre naturalmente no solo, mas o contágio se agrava com o aumento de gatos nas ruas. Ela cobra mais ações de castração e adoção por parte do poder público, criticando a lentidão das respostas.
A campanha também destaca a adoção responsável. A Dibea, após resgatar cães e gatos abandonados, avalia a saúde dos animais e oferece tratamento veterinário. Os adotados passam a ter assistência gratuita no hospital veterinário municipal. Felipe Vieira, diretor de Bem-Estar Animal, explica que é feito um prontuário para compatibilizar perfil do tutor e do animal, e são solicitadas fotos da residência: cães só são doados para casas com muros, e gatos para imóveis telados, prevenindo fugas e acidentes.
Vieira reforça que o apoio da comunidade é vital: a população pode colaborar adotando com responsabilidade, oferecendo afeto e cuidado. O abrigo deve ser apenas uma passagem temporária; a verdadeira recuperação acontece quando os animais encontram uma família.
Fonte: Assembleia SC








