Fundada em 2001 em um pequeno escritório de Porto Alegre, a XP comemora um quarto de século como um dos maiores ecossistemas de investimentos e serviços financeiros do Brasil. A empresa, que começou com cursos para investidores, hoje conta com mais de 8 mil funcionários, 18 mil assessores e 4,8 milhões de clientes. No ano passado, os ativos sob custódia, gestão e administração atingiram R$ 2,1 trilhões, gerando lucro líquido de R$ 5,2 bilhões.
A trajetória de transformação começou em 2007 com a compra da corretora Americainvest, que permitiu à XP entrar no mercado de corretagem. Inspirada no modelo da Charles Schwab, a empresa introduziu no Brasil uma plataforma aberta de investimentos, oferecendo produtos de diversas instituições. “Antes, os clientes ficavam reféns dos grandes bancos, que vendiam só seus próprios produtos a preços altos. Com um modelo mais competitivo, ganhamos escala para democratizar o acesso aos investimentos”, afirma o fundador Guilherme Benchimol.
A partir de 2012, com aporte de R$ 450 milhões da General Atlantic, a XP acelerou aquisições, como as da Clear e da Rico, impulsionando a digitalização, a entrada de novos investidores e o fim das taxas de corretagem. Em 2019, a empresa abriu capital na Nasdaq, com valuation inicial de US$ 14,9 bilhões, dando origem à XP Inc., que hoje reúne banco de atacado, plataformas educacionais e serviços de varejo.
O crescimento rápido exigiu reestruturação organizacional e reforço na governança. “Nossa cultura se mantém com foco no cliente, sonho grande, mente aberta e espírito empreendedor. Mas precisamos trazer talentos externos e preparar lideranças para um ambiente de mudanças constantes”, diz Benchimol. A qualificação dos assessores incluiu remuneração fixa, controles mais rígidos e sistemas para melhorar recomendações. “Qualidade virou pré-requisito para os negócios. O crescimento é consequência da confiança”, completa.
Com a ascensão da inteligência artificial, a XP aplica a tecnologia em soluções de segurança, alocação de ativos e relacionamento com clientes, além de apoiar os assessores na criação de portfólios mais dinâmicos. Para o futuro, Benchimol traça uma meta ambiciosa: tornar a XP a maior e mais completa empresa de investimentos do país até 2033. “Não existe atalho. O que importa é resiliência, disciplina e obsessão pelo cliente. Nosso livro é escrito a lápis, para questionarmos cada capítulo e construirmos um ecossistema onde o dinheiro sirva à liberdade das pessoas e ao crescimento das empresas”, conclui.
Em entrevista, o CEO Thiago Maffra detalha a estratégia para a próxima fase. Ele afirma que a empresa está na etapa final da implementação da terceira onda de transformação, com foco na personalização das jornadas do cliente, combinando capital humano e tecnologia. “Escalamos muito em 2025 e seguiremos nesse ritmo”, diz Maffra, reforçando o objetivo de liderar o setor até 2033.
Fonte: O GLOBO







