O ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, foi expulso do quadro de associados do clube nesta segunda-feira (25). A decisão foi tomada pelo Conselho Deliberativo em votação realizada no Parque São Jorge, sede social do Timão, em São Paulo. O parecer da Comissão de Ética, que recomendava a exclusão, foi acatado após investigação sobre o uso indevido do cartão corporativo para despesas pessoais.
Dos 167 conselheiros que votaram, 112 foram favoráveis à expulsão, 49 contrários e seis se abstiveram. O comparecimento foi de 58,8% do Conselho, que conta com 84 conselheiros vitalícios ativos e 200 trienais. Entre os vitalícios, a votação foi mais apertada: 16 a favor e 14 contra. Já entre os trienais, a vantagem pela exclusão foi maior.
Andrés Sanchez será notificado formalmente da decisão para que a expulsão tenha efeito. Leonardo Pantaleão, presidente em exercício do Conselho Deliberativo, explicou que o julgamento do colegiado é autônomo e não requer assembleia-geral. Com a comunicação, o procedimento interno se encerra, cabendo recurso apenas na esfera judicial.
A defesa de Andrés foi procurada, mas não se manifestou até o fechamento da reportagem.
Andrés Sanchez presidiu o Corinthians em dois mandatos: de 2007 a 2012 e de 2018 a 2021. No primeiro período, conquistou o Campeonato Brasileiro de 2011. Foi durante a segunda gestão que ocorreram as despesas investigadas. Ele também foi deputado federal por São Paulo entre 2015 e 2019.
As acusações apontam que Andrés usou o cartão de crédito do clube para gastos pessoais. O Ministério Público de São Paulo estima o valor indevido em R$ 480.169,60, entre agosto de 2018 e fevereiro de 2021, com correção monetária e juros. Entre os itens estão dois relógios de luxo, compras em duty free, lojas de roupas, farmácias, frigoríficos, hospital, laboratório, barbearia, churrascarias e restaurantes. Também constam passeio de barco, hospedagem em hotel e refeição em Tibau do Sul (RN) e restaurante em Fernando de Noronha (PE), locais sem agenda do clube.
Andrés admitiu o uso indevido, alegou confusão com o cartão pessoal e ressarciu R$ 15 mil. Sua defesa argumentou que não havia política interna para regular o uso do cartão, que os gastos estavam em ambiente de informalidade e que não houve dolo ou má-fé.
A votação gerou grande movimentação no Parque São Jorge, com segurança reforçada pela Polícia Militar e Civil. Torcedores organizados estenderam faixas pedindo a expulsão, com mensagens como ‘quem prejudica o clube não nos representa’. Pela manhã, faixas em defesa de Andrés também foram colocadas, mas retiradas por torcedores. Um caminhão de som tocou o hino do Corinthians e músicas como ‘Reunião de bacana’. Com o resultado, houve comemoração com fogos e espuma de sabão, e a música ‘Vou Festejar’ foi reproduzida.
No início da sessão, o ex-presidente Mario Gobbi pediu voto secreto e questionou a possibilidade de suspensão como pena alternativa. Pantaleão manteve o voto aberto, com registro individual.
Fonte: O GLOBO







