Em meio à falta de propostas inovadoras na pré-campanha eleitoral, um projeto de cultivo de macaúba em 200 mil hectares de áreas degradadas na Bahia e no norte de Minas Gerais chama a atenção. A iniciativa pode indicar que a bioeconomia está ganhando espaço na agenda nacional.
Historicamente, temas ambientais e de política externa tiveram pouco destaque nos debates presidenciais brasileiros. No âmbito internacional, a polarização entre direita e esquerda sobre relações com os EUA e a multipolaridade já é evidente. Já o meio ambiente ainda não desperta paixões políticas como economia ou costumes, mas a distância entre conservadores e progressistas cresce.
Um exemplo foi a gestão de Jair Bolsonaro, que desmontou políticas ambientais, estimulou o desmatamento na Amazônia e protegeu garimpeiros ilegais. Essa postura isolou o Brasil diplomaticamente, tornando-o um pária internacional, posição da qual o então chanceler se orgulhava.
Agora, os sinais de mudança aparecem. O desmatamento na Mata Atlântica caiu 28% em 2025, de 53 mil para 38 mil hectares. No entanto, é na interseção entre meio ambiente e economia que surgem as melhores perspectivas. Usinas solares e eólicas já tornam a matriz energética brasileira uma das mais limpas do mundo.
O aumento do preço do petróleo, devido à guerra no Irã e ao fechamento do estreito de Ormuz, abre espaço para alternativas energéticas em um momento em que o mundo busca reduzir emissões de gases de efeito estufa. É nesse contexto que a macaúba ganha relevância.
Nativa do Brasil, comum em regiões de transição entre Caatinga e Mata Atlântica, a macaúba é apontada como alternativa para ampliar a produção de biocombustíveis sem competir com alimentos. Dela pode ser produzido o Combustível Sustentável de Aviação (SAF), uma das opções mais viáveis para descarbonizar o setor aéreo e reduzir a dependência de querosene de aviação sujeito a oscilações de preço. Além disso, a palmeira produz mais óleo por hectare que a soja.
O potencial da planta, aliado a novas políticas de descarbonização, atraiu grandes investidores. A Acelen Renováveis, do fundo soberano Mubadala Capital (Emirados Árabes), investirá US$ 1,5 bilhão na primeira biorrefinaria no Brasil, capaz de produzir 1 bilhão de litros anuais de SAF e diesel renovável. Esse é o primeiro passo de um investimento total de US$ 3 bilhões, com participação do BNDES e do Banco Mundial.
As terras degradadas da Bahia e de Minas Gerais podem se tornar exemplo de como capital privado e políticas públicas podem gerar resultados. A produção de biocombustíveis como o SAF tem enorme potencial em áreas degradadas, trazendo bilhões de dólares em investimentos e exportações futuras para o Brasil.
O país precisa de mais soluções como essa. Os candidatos à Presidência fariam bem em apresentar propostas que unam crescimento econômico, respeito ao meio ambiente e inclusão social, enriquecendo o debate eleitoral.
Fonte: Metrópoles







