AGRICULTURASafra de milho gaúcha deve crescer 7,18% e chegar a 6,91 milhões de toneladas

A colheita de milho no Rio Grande do Sul deve alcançar 6,91 milhões de toneladas no ciclo 2026/2027, conforme estimativa da Emater/RS-Ascar. O volume representa uma expansão de 7,18% frente ao levantamento anterior, refletindo a melhoria das condições meteorológicas e o avanço do plantio.

A área destinada ao cereal está calculada em 896.401 hectares, um acréscimo de 7,42% na comparação utilizada pelo estudo. A produtividade média projetada é de 7.711 quilos por hectare, o que equivale a aproximadamente 128,5 sacas por hectare.

O desempenho positivo reforça a retomada da cultura no território gaúcho, após um período de dificuldades climáticas. A expansão da área e o rendimento esperado são vistos como essenciais para abastecer as cadeias de aves, suínos e produção leiteira, que dependem do grão como base da alimentação animal.

O plantio das lavouras acelerou nas últimas semanas, impulsionado pela redução da umidade superficial do solo, pelo aumento das temperaturas e pela maior incidência de radiação solar. Segundo o acompanhamento da Emater/RS-Ascar, as áreas semeadas apresentam germinação satisfatória, emergência uniforme e bons estandes, com a maioria das plantas nos estádios iniciais de desenvolvimento vegetativo.

Os trabalhos estão mais adiantados nas regiões de menor altitude e naquelas onde a janela de semeadura definida pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) já foi liberada. Em áreas mais frias ou com solos de drenagem limitada, o ritmo é mais lento, e houve casos pontuais de problemas de estabelecimento em talhões semeados com excesso de umidade ou atingidos por chuvas logo após a operação.

Na região administrativa de Santa Rosa, o plantio avançou para 74% dos 174.288 hectares previstos. As lavouras locais estão em pleno desenvolvimento vegetativo, com boa uniformidade, e a produtividade esperada é de 8.353 quilos por hectare, cerca de 139 sacas.

Em Ijuí, mais de 60% dos 112.855 hectares estimados já foram semeados. A região detém uma das maiores expectativas de rendimento do Estado, com 9.473 quilos por hectare, aproximadamente 158 sacas. A umidade do solo tornou-se mais favorável a partir do fim de agosto, o que permitiu a evolução inicial em áreas com menor cobertura de palhada e, posteriormente, nos demais talhões.

Diante da previsão de chuvas volumosas, alguns agricultores optaram por reduzir a profundidade de deposição das sementes. As lavouras implantadas no início de agosto mostram emergência uniforme e poucas falhas, indicando bom estabelecimento inicial.

Em São Borja, a semeadura atingiu 60% dos 25 mil hectares projetados. As pancadas de chuva localizadas, a disponibilidade adequada de água no solo e as temperaturas mais altas favoreceram a germinação e a formação dos estandes. O clima também contribuiu para a dessecação das plantas de cobertura, com manejo realizado por meio de rolo-faca, isolado ou combinado com herbicidas, especialmente em áreas com nabo, aveia, centeio e ervilhaca.

Nas partes mais baixas e com problemas de drenagem, ainda há limitações para a entrada das máquinas, o que preocupa os produtores que pretendem cultivar soja na sequência. O atraso pode reduzir a janela ideal de semeadura da oleaginosa, aumentando o risco de perdas.

Na região de Erechim, aproximadamente 30% dos 44.915 hectares previstos já foram semeados, com produtividade projetada em 8.956 quilos por hectare, cerca de 149 sacas. Em Soledade, o plantio alcançou 20% dos 71.620 hectares estimados, e as áreas remanescentes, em grande parte, estão preparadas e dessecadas, aguardando condições adequadas para a operação.

A elevação das temperaturas reduziu a umidade excessiva do solo em Soledade, beneficiando a germinação, a emergência e o desenvolvimento inicial das plantas. A produtividade regional está estimada em 5.659 quilos por hectare, pouco mais de 94 sacas.

As projeções regionais revelam diferenças significativas no potencial produtivo do milho gaúcho. Além de Ijuí, os melhores rendimentos são esperados em Passo Fundo, com 9.359 quilos por hectare, e Erechim, com 8.956 quilos. Em Frederico Westphalen, a área projetada é de 86.660 hectares, com rendimento médio de 8.119 quilos por hectare. Caxias do Sul deve cultivar 96.052 hectares e alcançar produtividade de 7.953 quilos por hectare.

Na região de Bagé, são esperados 63.682 hectares e produtividade de 6.551 quilos por hectare. Para Santa Maria, a previsão aponta 59.835 hectares e rendimento de 6.618 quilos. As demais estimativas incluem Passo Fundo (84.360 hectares e 9.359 quilos), Pelotas (37.940 hectares e 4.675 quilos), Porto Alegre (32.854 hectares e 4.419 quilos) e Lajeado (31.340 hectares e 5.959 quilos por hectare).

Essas variações são explicadas por fatores como regime de chuvas, temperatura, altitude, características do solo, uso de irrigação e nível tecnológico das propriedades. Cada região apresenta condições específicas que influenciam diretamente o desenvolvimento da cultura.

Apesar das perspectivas positivas, o cenário fitossanitário requer atenção. Técnicos identificaram elevada incidência de cigarrinha-do-milho, inclusive em áreas onde há rotação de culturas. A praga é vetor de microrganismos causadores dos enfezamentos, doenças que podem comprometer o desenvolvimento das plantas e provocar perdas expressivas de produtividade.

A pressão da cigarrinha é mais evidente na região de Santa Rosa, onde os produtores intensificaram o monitoramento e as aplicações de inseticidas. Em algumas localidades, houve redução da população da praga, mas o risco permanece elevado. Também foram observados danos localizados causados por percevejos durante as fases de germinação e desenvolvimento inicial.

O monitoramento frequente das lavouras é decisivo para identificar rapidamente as infestações e orientar as medidas de controle. O manejo deve considerar o histórico da área, a presença de plantas voluntárias de milho, o estágio da cultura e a orientação técnica, visando minimizar os impactos e preservar a produtividade.

A expectativa inicial para a safra de milho do Rio Grande do Sul é positiva, sustentada pela ampliação da área, pelo avanço do plantio e pelo estabelecimento satisfatório da maioria das lavouras. No entanto, a projeção de 6,91 milhões de toneladas depende crucialmente da regularidade das chuvas e das temperaturas durante as fases de floração e enchimento dos grãos, períodos determinantes para o rendimento final.

O controle da cigarrinha-do-milho e dos percevejos será igualmente vital para assegurar o potencial produtivo. Com crescimento estimado em 7,18%, a nova safra pode reforçar a oferta interna do cereal e consolidar as cadeias produtivas que dependem do milho no agronegócio gaúcho.

Fonte: Portal do Agronegócio

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