carbono azul Archives - Vozes do Oráculo https://vozesdooraculo.com.br/tag/carbono-azul/ Revelando os Fatos! Tue, 23 Jun 2026 20:37:01 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.4 https://vozesdooraculo.com.br/wp-content/uploads/2026/05/favicon-150x150.png carbono azul Archives - Vozes do Oráculo https://vozesdooraculo.com.br/tag/carbono-azul/ 32 32 Encontro na Alesc debate importância dos manguezais catarinenses https://vozesdooraculo.com.br/encontro-na-alesc-debate-importancia-dos-manguezais-catarinenses/ https://vozesdooraculo.com.br/encontro-na-alesc-debate-importancia-dos-manguezais-catarinenses/#respond Tue, 23 Jun 2026 20:37:01 +0000 https://vozesdooraculo.com.br/encontro-na-alesc-debate-importancia-dos-manguezais-catarinenses/ Especialistas discutiram a preservação dos manguezais, seu valor econômico e os riscos que enfrentam em Santa Catarina.

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A relevância dos manguezais catarinenses foi tema de um evento realizado nesta terça-feira (23) na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, como parte da programação do Mês do Meio Ambiente. Especialistas, pesquisadores e representantes da sociedade civil se reuniram para debater a preservação desses ecossistemas e seus impactos sociais e econômicos no estado. O Encontro sobre Manguezais Catarinenses ocorreu no Plenarinho Deputado Paulo Stuart Wright, organizado pelo Instituto Mauro Passos de Proteção Ambiental e Climática (Impac) em parceria com a Comissão de Meio Ambiente da Alesc.

Os manguezais, além de serem fundamentais para a conservação de diversas espécies, podem se tornar importantes ativos econômicos. Eles têm capacidade quatro vezes maior de capturar carbono em comparação com florestas terrestres e retêm o carbono por períodos mais longos. Considerados entre os ecossistemas mais vitais do planeta, servem como berçário para várias espécies marinhas, protegem a biodiversidade, combatem a erosão costeira e ajudam a mitigar as mudanças climáticas graças à alta capacidade de armazenamento de carbono. Por isso, é essencial monitorá-los e preservá-los, transformando-os em ativos ambientais de alto valor, com a geração do chamado “carbono azul”, cujos créditos podem ser comercializados com empresas, gerando receita para o setor público.

O deputado Marquito (Psol), presidente da Comissão de Meio Ambiente, destacou os riscos que os manguezais enfrentam. Ele citou a degradação na Baía da Babitonga, que abriga cerca de 70% dos manguezais catarinenses, severamente impactada pela expansão portuária. Também alertou para a especulação imobiliária que avança sobre essas áreas. O parlamentar observou que, “enquanto se fala da importância de criar cidades esponjas, destrói-se ecossistemas que já funcionam como esponjas naturais”.

O engenheiro e ambientalista Mauro Passos, ex-deputado federal e fundador do Impac, explicou que o instituto foi criado para ampliar o conhecimento sobre esses ecossistemas. “Só preservamos aquilo que conhecemos, e os manguezais são ecossistemas estratégicos para o equilíbrio ambiental, proteção da biodiversidade e enfrentamento da crise climática.” Em 2025, o instituto iniciou um trabalho com alunos de escolas públicas de Santo Amaro da Imperatriz, levando 674 crianças para visitas guiadas em áreas de mata na Serra do Tabuleiro. Agora, o objetivo é criar visitas guiadas ao mangue do Itacorubi, em Florianópolis. Incluir a conscientização ambiental no calendário escolar, na opinião dele, evita a repetição de erros. Daí surgiu o projeto “Viva o Mangue”, que pretende expandir a atividade ao público em geral, proporcionando contato direto com a natureza e promovendo conhecimento sobre a biodiversidade do manguezal e sua importância para o equilíbrio ambiental.

O professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), biólogo Paulo Horta, alertou que os “manguezais são florestas marinhas fundamentais para o equilíbrio planetário”. Ele enfatizou que esses ambientes são capazes de cuidar da qualidade da água e recuperar a balneabilidade de praias. Embora tenham resistido a grandes ciclos de destruição da vida, nos últimos 30 anos estão sendo severamente ameaçados. Horta relatou que, no último ano, foram registrados episódios de mortalidade de peixes e outras espécies por falta de oxigenação das águas em mangues de Palhoça, Biguaçu e Florianópolis. “Os limites planetários foram implodidos”, disse ele. “Os oceanos estão poluídos, mais quentes e não param de subir, e os manguezais não são imunes a essa situação.”

O também biólogo e professor da UFSC, Paulo Pagliosa, explicou que os manguezais sequestram quatro vezes mais gás carbônico que as florestas e retêm o carbono de 12 a 30 vezes mais. Além disso, servem de habitat para vertebrados e invertebrados, incluindo aves que só sobrevivem ali. Ele destacou que os mangues são regidos pela dinâmica das águas: a vida só se desenvolve entre o nível médio do mar e o nível da maré mais alta. “Tudo é regido pela conectividade aquática, com profunda ligação hidrológica.” Por isso, intervenções humanas que ignoram particularidades ambientais representam risco. “Nos últimos anos, vimos mais de 100 solicitações de construção de moles e piers em Santa Catarina e 18 pedidos de aterros de praias”, alertou, lembrando que, nesses casos, 40% da área colocada na praia costuma desaparecer em duas semanas.

O último palestrante foi Carlos Alberto Ferreira, diretor executivo da Carbon Zero, empresa paranaense de negociação de créditos ambientais. Ele afirmou que grandes empresas de cabotagem, exportação e logística, ou aquelas com compromissos climáticos, desejam investir na preservação de áreas que possam ser monitoradas de forma comprovada. Manguezais, alagados e pradarias marinhas têm papel ambiental importante. Ele citou os 6,3 mil hectares da Baía de Babitonga como “um tesouro de Santa Catarina”, relacionando o “crédito azul” ao carbono acumulado sob as águas, que pode render entre 60 e 70 dólares por hectare/ano para municípios e estados. “Ao proteger os manguezais, estamos protegendo áreas que prestam serviços ambientais essenciais, com enorme capacidade de armazenamento de carbono”, disse Ferreira, para quem “crédito de carbono azul auditável é mosca branca”. Ele reforçou: “Precisamos entender o que representam esses ativos. São fundamentais para a conservação e recuperação.”

Fonte: Assembleia SC

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Estudo aponta mercúrio e chumbo em caranguejo do litoral do Paraná https://vozesdooraculo.com.br/estudo-aponta-mercurio-e-chumbo-em-caranguejo-do-litoral-do-parana/ https://vozesdooraculo.com.br/estudo-aponta-mercurio-e-chumbo-em-caranguejo-do-litoral-do-parana/#respond Wed, 27 May 2026 11:20:22 +0000 https://vozesdooraculo.com.br/estudo-aponta-mercurio-e-chumbo-em-caranguejo-do-litoral-do-parana/ Pesquisadores encontraram vestígios de metais pesados em caranguejos-uçá, mas consumo não é contínuo.

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Há quase cinco décadas, o caiçara Antônio de Souza se dedica à captura de caranguejos nos manguezais do litoral paranaense. Durante a temporada de coleta autorizada, que ocorre de dezembro a meados de março, ele obtém o crustáceo tanto para o sustento da família quanto como fonte de renda. “É um ganha-pão”, afirma ele, que durante o período de defeso sobrevive da pesca de peixes. Na semana passada, Antônio, conhecido entre os colegas como Pano, acompanhou a reportagem da Agência Brasil em uma visita ao manguezal da Oceania, em Paranaguá. Enquanto mostra a localização do caranguejo-uçá, espécie típica da região, ele defende a importância do defeso — período anual em que a captura é proibida — como medida para assegurar a reprodução natural da espécie. “A gente não deixa ninguém mexer no mangue, não pode tirar o caranguejo, senão, mais tarde, meu filho, meu neto vão querer comer um caranguejo, e não terá”, diz. O catador é colaborador do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), iniciativa da associação sem fins lucrativos Associação Mar Brasil. Desde 2009, a ação conta com patrocínio voluntário do Programa Socioambiental da Petrobras.

Pesquisadores do Rebimar conduzem diversas ações ambientais no litoral do Paraná, incluindo o monitoramento da saúde dos manguezais e de seu habitante característico, o caranguejo-uçá. Segundo dados recentes do governo estadual, a pesca de caranguejo movimentou cerca de R$ 9,8 milhões no estado em 2024. Os municípios que se destacam nessa atividade são Guaraqueçaba, Guaratuba, Paranaguá, Antonina e Pontal do Paraná.

Um dos estudos, coordenado pela professora Cassiana Baptista Metri, da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) e pesquisadora do Rebimar, investiga a presença de elementos químicos no caranguejo-uçá. Foram detectadas concentrações de zinco, manganês e magnésio. “São importantes para constituições do próprio corpo humano”, relata. No entanto, os resultados também acenderam um alerta. “A gente encontrou contaminantes que não são desejáveis ─ mercúrio e chumbo ─ concentrados no caranguejo”, revela. A pesquisadora ressalta que esses achados não foram constantes, variando conforme o local e a época do ano.

Quanto aos possíveis efeitos na saúde humana, a professora Cassiana afirma que são necessários estudos adicionais. “A gente tentar entender o quanto que o consumo de um caranguejo potencialmente contaminado pode prejudicar a saúde.” Ela observa que o consumo do uçá é bastante localizado e sazonal na região. “Tradicionalmente na época do verão”, lembra, referindo-se ao período fora do defeso. “É diferente de quando você come uma coisa todo dia. Agora a gente vai fazer um cálculo da quantidade, porque tem alguns metais que vão acumulando no organismo e não são eliminados. Então, isso que é preocupação e que a gente precisa entender”, adianta. A área do manguezal fica próxima a regiões bastante diversas, como o Porto de Paranaguá, com intenso tráfego de navios; a Ilha da Cotinga, uma terra indígena; e a Ilha do Mel, de vocação turística.

A pesquisadora acrescenta que, apesar da detecção de mercúrio e chumbo nos caranguejos, os crustáceos apresentaram “vida normal”. “O caranguejo estava ótimo, saudável, estava fazendo suas atividades.” Diante disso, Cassiana Baptista Metri levanta duas hipóteses sobre a condição dos animais. Uma delas é que eles podem eliminar os contaminantes pela carapaça (estrutura rígida externa). “Um caminho é entender se ele manda isso [os contaminantes] embora, e uma das alternativas pode ser a carapaça, que todo ano ele troca, pode ser que ele acumule na carapaça e isso a gente está bem perto de descobrir.” A outra linha de investigação é se pode estar relacionado à base alimentar do caranguejo-uçá, que são as folhas do mangue, ricas em tanino. “Pode trazer alguma atividade antioxidante que o protege. O tanino faz durar mais as coisas”, diz ela, acrescentando que um resultado pode abrir caminho para o desenvolvimento de produtos pela indústria farmacêutica.

O patrocínio atual da Petrobras é de aproximadamente R$ 6 milhões para um ciclo de quatro anos. Os recursos ajudam o Rebimar a monitorar a fauna e o ambiente marinho da chamada Grande Reserva Mata Atlântica, o maior remanescente contínuo desse bioma, que se estende do sul do litoral paulista, passa pelo Paraná e alcança o norte do litoral catarinense. Com imagens de satélite, drones e técnicas de georreferenciamento, o projeto identificou 49 mil hectares de manguezais, área equivalente à cidade de Porto Alegre. Segundo a estatal, cada real investido gera um retorno médio de R$ 4,88 em benefícios sociais e ambientais.

A oceanógrafa Sarah Charlier Sarubo monitora a saúde da vegetação dos manguezais. Anualmente, ela realiza expedições para medir o tamanho das árvores, a espessura dos troncos e a qualidade do solo. “Informações de como está a biomassa dos manguezais, a que taxas esse manguezal cresce, a que taxas se reproduz é entender a saúde da floresta”, descreve. Ao defender a conservação das áreas de mangue, a pesquisadora destaca o papel do carbono azul, como é chamado o estoque de gás carbônico (dióxido de carbono ou CO₂) capturado e armazenado por ecossistemas costeiros e marinhos. “É superior em eficiência comparado à Floresta Amazônica”, conclui.

Fonte: Agência Brasil

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