Rebimar Archives - Vozes do Oráculo https://vozesdooraculo.com.br/tag/rebimar/ Revelando os Fatos! Wed, 27 May 2026 11:35:47 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.4 https://vozesdooraculo.com.br/wp-content/uploads/2026/05/favicon-150x150.png Rebimar Archives - Vozes do Oráculo https://vozesdooraculo.com.br/tag/rebimar/ 32 32 Estudo revela que 93,6% dos peixes do litoral do Paraná contêm microplástico https://vozesdooraculo.com.br/estudo-revela-que-936-dos-peixes-do-litoral-do-parana-contem-microplastico/ https://vozesdooraculo.com.br/estudo-revela-que-936-dos-peixes-do-litoral-do-parana-contem-microplastico/#respond Wed, 27 May 2026 11:35:47 +0000 https://vozesdooraculo.com.br/estudo-revela-que-936-dos-peixes-do-litoral-do-parana-contem-microplastico/ Pesquisa encontrou fragmentos de plástico em 44 de 47 peixes analisados de feiras e mercados.

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A oceanógrafa Fernanda Possatto, do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), apresentou uma mesa cheia de resíduos plásticos coletados em 14 praias do litoral paranaense. Ela destacou que, além desses detritos visíveis, há uma preocupação maior com partículas microscópicas: os microplásticos. Um levantamento feito pela pesquisadora apontou que 93,6% dos peixes adquiridos em feiras e mercados da região tinham esses fragmentos no sistema digestivo. Dos 47 exemplares examinados, 44 apresentaram contaminação, sendo os peixes demersais — que vivem próximos ao fundo do mar — os mais afetados.

Microplásticos são partículas com menos de 5 milímetros, originadas da degradação de objetos plásticos maiores, como embalagens, garrafas, pneus, tecidos e tintas. Fernanda fez questão de ressaltar que a descoberta não inviabiliza o consumo de peixe, já que o músculo, que é a parte ingerida, não é afetado diretamente. “A gente não está falando ainda de risco para saúde humana porque hoje a gente não come o trato, não come o estômago, a gente come o músculo”, explicou. No entanto, ela defende a necessidade de mais investigações para entender os possíveis impactos.

A sede da Mar Brasil, organização sem fins lucrativos que coordena o Rebimar — financiado pela Petrobras —, fica em Pontal do Paraná, próximo à Ilha do Mel. A região abriga ecossistemas variados, como a Ilha da Cotinga (uma terra indígena), manguezais extensos e o Porto de Paranaguá, que recebe intenso tráfego de navios. A pesquisadora questiona se os componentes tóxicos dos microplásticos podem ser absorvidos pelos tecidos musculares dos peixes, lembrando que estudos anteriores já associaram esses fragmentos à redução da fertilidade e ao surgimento de tumores em animais.

Os microplásticos se formam pela fragmentação de plásticos maiores sob ação do tempo e da radiação solar, espalhando-se pela água, solo e ar, e entrando na cadeia alimentar. Podem vir de lixo marinho, tintas, pneus e tecidos. Pesquisas brasileiras já detectaram essas partículas em placentas e cordões umbilicais. A Organização Mundial da Saúde reconhece o problema global e pede mais estudos sobre os efeitos na saúde humana.

O Rebimar também investigou a presença de microplástico em aves marinhas, como gaivotas e corujas-buraqueiras. Por meio da análise de material regurgitado, constatou-se que 69% dos animais tinham fragmentos. “Se você nota que a cada dez indivíduos, sete têm microplástico, é muito alto”, afirmou Fernanda. Ela observou que o problema ocorre tanto em áreas urbanizadas, como perto do Porto de Paranaguá, quanto em regiões preservadas, indicando que “fronteira geográfica não existe para a questão do plástico”. Os fragmentos são transportados por correntes, ventos e marés, tornando o desafio sistêmico.

A oceanógrafa acredita que os dados da pesquisa podem ajudar autoridades a estabelecer limites seguros para microplásticos. “A gente não tem hoje um índice que nos diz se 1 microplástico por metro cúbico de água é aceitável”, exemplificou. Ela sugere que a solução envolve tanto a redução na produção de plástico quanto a conscientização ambiental. “Não tem uma solução única. A gente tem que pensar em vários leques de atuação, desde a sensibilização com a educação ambiental até a fonte mesmo que é a produção do plástico.”

Outra frente do projeto é o monitoramento de tartarugas-verdes, uma das cinco espécies registradas no Brasil. Desde 2014, pesquisadores da UFPR capturaram 435 vezes esses animais, totalizando 313 indivíduos (alguns recapturados). A bióloga Camila Domit, coordenadora do Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPR, revelou que 80% das tartarugas encontradas mortas no litoral paranaense tinham lixo no trato digestivo. “É assustador”, enfatizou. Ela explicou que, dependendo da quantidade, o lixo pode levar o animal à morte.

Fonte: Agência Brasil

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Estudo aponta mercúrio e chumbo em caranguejo do litoral do Paraná https://vozesdooraculo.com.br/estudo-aponta-mercurio-e-chumbo-em-caranguejo-do-litoral-do-parana/ https://vozesdooraculo.com.br/estudo-aponta-mercurio-e-chumbo-em-caranguejo-do-litoral-do-parana/#respond Wed, 27 May 2026 11:20:22 +0000 https://vozesdooraculo.com.br/estudo-aponta-mercurio-e-chumbo-em-caranguejo-do-litoral-do-parana/ Pesquisadores encontraram vestígios de metais pesados em caranguejos-uçá, mas consumo não é contínuo.

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Há quase cinco décadas, o caiçara Antônio de Souza se dedica à captura de caranguejos nos manguezais do litoral paranaense. Durante a temporada de coleta autorizada, que ocorre de dezembro a meados de março, ele obtém o crustáceo tanto para o sustento da família quanto como fonte de renda. “É um ganha-pão”, afirma ele, que durante o período de defeso sobrevive da pesca de peixes. Na semana passada, Antônio, conhecido entre os colegas como Pano, acompanhou a reportagem da Agência Brasil em uma visita ao manguezal da Oceania, em Paranaguá. Enquanto mostra a localização do caranguejo-uçá, espécie típica da região, ele defende a importância do defeso — período anual em que a captura é proibida — como medida para assegurar a reprodução natural da espécie. “A gente não deixa ninguém mexer no mangue, não pode tirar o caranguejo, senão, mais tarde, meu filho, meu neto vão querer comer um caranguejo, e não terá”, diz. O catador é colaborador do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), iniciativa da associação sem fins lucrativos Associação Mar Brasil. Desde 2009, a ação conta com patrocínio voluntário do Programa Socioambiental da Petrobras.

Pesquisadores do Rebimar conduzem diversas ações ambientais no litoral do Paraná, incluindo o monitoramento da saúde dos manguezais e de seu habitante característico, o caranguejo-uçá. Segundo dados recentes do governo estadual, a pesca de caranguejo movimentou cerca de R$ 9,8 milhões no estado em 2024. Os municípios que se destacam nessa atividade são Guaraqueçaba, Guaratuba, Paranaguá, Antonina e Pontal do Paraná.

Um dos estudos, coordenado pela professora Cassiana Baptista Metri, da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) e pesquisadora do Rebimar, investiga a presença de elementos químicos no caranguejo-uçá. Foram detectadas concentrações de zinco, manganês e magnésio. “São importantes para constituições do próprio corpo humano”, relata. No entanto, os resultados também acenderam um alerta. “A gente encontrou contaminantes que não são desejáveis ─ mercúrio e chumbo ─ concentrados no caranguejo”, revela. A pesquisadora ressalta que esses achados não foram constantes, variando conforme o local e a época do ano.

Quanto aos possíveis efeitos na saúde humana, a professora Cassiana afirma que são necessários estudos adicionais. “A gente tentar entender o quanto que o consumo de um caranguejo potencialmente contaminado pode prejudicar a saúde.” Ela observa que o consumo do uçá é bastante localizado e sazonal na região. “Tradicionalmente na época do verão”, lembra, referindo-se ao período fora do defeso. “É diferente de quando você come uma coisa todo dia. Agora a gente vai fazer um cálculo da quantidade, porque tem alguns metais que vão acumulando no organismo e não são eliminados. Então, isso que é preocupação e que a gente precisa entender”, adianta. A área do manguezal fica próxima a regiões bastante diversas, como o Porto de Paranaguá, com intenso tráfego de navios; a Ilha da Cotinga, uma terra indígena; e a Ilha do Mel, de vocação turística.

A pesquisadora acrescenta que, apesar da detecção de mercúrio e chumbo nos caranguejos, os crustáceos apresentaram “vida normal”. “O caranguejo estava ótimo, saudável, estava fazendo suas atividades.” Diante disso, Cassiana Baptista Metri levanta duas hipóteses sobre a condição dos animais. Uma delas é que eles podem eliminar os contaminantes pela carapaça (estrutura rígida externa). “Um caminho é entender se ele manda isso [os contaminantes] embora, e uma das alternativas pode ser a carapaça, que todo ano ele troca, pode ser que ele acumule na carapaça e isso a gente está bem perto de descobrir.” A outra linha de investigação é se pode estar relacionado à base alimentar do caranguejo-uçá, que são as folhas do mangue, ricas em tanino. “Pode trazer alguma atividade antioxidante que o protege. O tanino faz durar mais as coisas”, diz ela, acrescentando que um resultado pode abrir caminho para o desenvolvimento de produtos pela indústria farmacêutica.

O patrocínio atual da Petrobras é de aproximadamente R$ 6 milhões para um ciclo de quatro anos. Os recursos ajudam o Rebimar a monitorar a fauna e o ambiente marinho da chamada Grande Reserva Mata Atlântica, o maior remanescente contínuo desse bioma, que se estende do sul do litoral paulista, passa pelo Paraná e alcança o norte do litoral catarinense. Com imagens de satélite, drones e técnicas de georreferenciamento, o projeto identificou 49 mil hectares de manguezais, área equivalente à cidade de Porto Alegre. Segundo a estatal, cada real investido gera um retorno médio de R$ 4,88 em benefícios sociais e ambientais.

A oceanógrafa Sarah Charlier Sarubo monitora a saúde da vegetação dos manguezais. Anualmente, ela realiza expedições para medir o tamanho das árvores, a espessura dos troncos e a qualidade do solo. “Informações de como está a biomassa dos manguezais, a que taxas esse manguezal cresce, a que taxas se reproduz é entender a saúde da floresta”, descreve. Ao defender a conservação das áreas de mangue, a pesquisadora destaca o papel do carbono azul, como é chamado o estoque de gás carbônico (dióxido de carbono ou CO₂) capturado e armazenado por ecossistemas costeiros e marinhos. “É superior em eficiência comparado à Floresta Amazônica”, conclui.

Fonte: Agência Brasil

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