A saída repentina de Albert Manifold da presidência do Conselho de Administração da BP, anunciada com efeito imediato, gerou uma forte reação negativa no mercado. As ações da petroleira chegaram a recuar 6,4% na Bolsa de Valores de Londres, refletindo a preocupação dos investidores com as ‘sérias preocupações relacionadas aos padrões de governança, supervisão e conduta’ que motivaram o afastamento.
Manifold havia assumido o cargo poucos meses atrás, em meio a um processo de reestruturação da empresa. Sua saída abrupta amplia o período de instabilidade na liderança da BP, justamente quando a companhia tentava acelerar sua recuperação após anos de desempenho aquém dos concorrentes. Ele teve papel central na destituição do ex-CEO Murray Auchincloss e na escolha de Meg O’Neill como sua sucessora.
Em comunicado oficial, Amanda Blanc, diretora independente sênior da BP, afirmou que o conselho ‘ficou surpreso e decepcionado ao tomar conhecimento de problemas de supervisão de governança e de conduta que considera inaceitáveis’, e que ‘tomou medidas decisivas’ para lidar com a situação. A declaração foi publicada no site da empresa.
Executivo do setor de materiais de construção antes de ingressar na BP no final do ano passado, Manifold rapidamente se tornou uma figura-chave na estratégia de retomada de confiança dos investidores. Ele incentivou funcionários a acelerar o abandono de investimentos malsucedidos em energia limpa e a expandir a atuação em combustíveis fósseis, além de liderar uma revisão do portfólio para eliminar ativos de baixo rendimento.
Seu primeiro grande movimento foi a remoção de Auchincloss e a nomeação de O’Neill, que se tornou a primeira mulher a liderar uma grande petroleira e a primeira CEO externa contratada pela BP. Ela veio da australiana Woodside Energy Group, onde passou quatro anos como principal executiva.
A BP vinha enfrentando pressão do fundo ativista Elliott Investment Management devido ao atraso em relação às concorrentes, o que motivou um esforço de reestruturação focado no retorno ao negócio central de petróleo e gás. Como presidente interino, o conselho nomeou Ian Tyler, que declarou que a liderança da BP mantém ‘profunda convicção na direção estratégica que definimos’ e que ficou ‘muito impressionada com Meg O’Neill desde que ela assumiu como CEO’.
Fonte: O GLOBO







