CLIMAAlesc debate preparação de Santa Catarina para impactos do El Niño em 2026

A Comissão de Defesa Civil e Desastres Naturais da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) promoveu, na tarde desta segunda-feira (6), uma audiência pública para tratar das estratégias e ações das Defesas Civis estadual e municipais diante dos possíveis efeitos climáticos decorrentes do El Niño no segundo semestre de 2026. O evento contou com a participação de representantes do governo estadual, prefeitos, vice-prefeitos, coordenadores municipais de Defesa Civil, especialistas e entidades ligadas à gestão de riscos e desastres.

O encontro teve como meta aperfeiçoar a colaboração entre os diferentes níveis de governo, garantindo que os municípios tenham acesso a informações atualizadas sobre as previsões climáticas, métodos de prevenção, desenvolvimento de planos de contingência, canais de comunicação, obtenção de recursos emergenciais e ações prioritárias de mitigação. A audiência ocorre em um contexto de alerta elevado.

De acordo com informações divulgadas pela Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil, há mais de 80% de chance de o fenômeno se formar entre julho e agosto deste ano, com possibilidade de se intensificar durante a primavera e o verão. Esse cenário pode resultar em chuvas acima da média, enxurradas, alagamentos, deslizamentos de terra e outros eventos extremos.

O meteorologista Leandro Puchalski, presente na audiência, esclareceu que o El Niño é um fenômeno climático global originado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, associado a alterações na circulação atmosférica. Ele destacou que, apesar de o fenômeno se formar a milhares de quilômetros de Santa Catarina, seus impactos modificam o clima em várias partes do planeta. “No Sul do Brasil, o principal efeito costuma ser o aumento das chuvas, especialmente entre a primavera e o início do verão. Isso não quer dizer que choverá ininterruptamente ou que todas as regiões serão igualmente afetadas. A identificação das áreas mais críticas depende de previsões de curto e médio prazo, que precisam ser monitoradas constantemente.”

Puchalski também observou que o episódio previsto para este ano chama atenção pela rapidez com que se formou e pela intensidade projetada. “O fenômeno começou antes do período normal e ganhou força rapidamente. A tendência é que atinja intensidade forte ou muito forte ainda no final do inverno ou começo da primavera. Isso aumenta a atenção dos órgãos de monitoramento, embora maior intensidade não signifique necessariamente mais danos.”

O consultor em Defesa Civil da Federação Catarinense de Municípios (Fecam), Márcio Luiz Alves, enfatizou que a preparação da população é essencial para minimizar os efeitos de possíveis desastres. “Quem sofre o impacto inicial de um desastre é a própria comunidade. Por isso, orientar as pessoas é fundamental. Também é importante que os municípios realizem a limpeza de rios, valas e sistemas de drenagem para facilitar o escoamento da água e reduzir o risco de alagamentos.”

O diretor de Gestão de Riscos da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil, Luís Eduardo Machado, apresentou as iniciativas em andamento para ampliar a capacidade de resposta caso o fenômeno provoque eventos extremos. Segundo ele, as bacias hidrográficas do Vale do Itajaí e do rio Tijucas continuam entre as áreas de maior atenção, embora o monitoramento abranja todas as regiões catarinenses. “As barragens são um dos principais focos neste momento. Estamos expandindo nosso centro logístico, reforçando contratos e fortalecendo toda a estrutura operacional para responder rapidamente, se necessário.”

Machado alertou para um desafio adicional caso as chuvas se estendam por várias semanas. “O Estado está preparado para responder a eventos repentinos. O grande desafio é, se houver um período prolongado de chuvas, não ficarmos limitados a uma única etapa, apenas na resposta, sem avançar para a reconstrução. Estamos trabalhando para estar preparados para mitigar, responder e reconstruir.”

Fonte: Assembleia SC

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