INFRAESTRUTURAAudiência pública discute ampliação dos molhes de Passo de Torres

A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) promoveu, na noite de sexta-feira (29), uma audiência pública focada no prolongamento dos molhes da barra do Rio Mampituba, em Passo de Torres. Organizada pela Comissão de Pesca e Aquicultura, a reunião atraiu mais de 500 participantes, incluindo pescadores, moradores, comerciantes, autoridades e lideranças regionais. O ponto central dos debates foi a necessidade de estender o molhe norte em 140 metros, medida apontada como essencial para aprimorar a navegação, aumentar a proteção dos pescadores e impulsionar a economia local, afetada pelo assoreamento e pelo acúmulo de areia que obstruem a passagem das embarcações.

Durante a audiência, familiares e profissionais da pesca vestiram camisetas com apelos pela conclusão da obra e lembraram o histórico de tragédias na região. Desde a construção dos molhes, há mais de 50 anos, mais de 40 pescadores morreram na barra. O deputado José Milton Scheffer (PP), presidente da Comissão de Pesca e Aquicultura e proponente do encontro, ressaltou que a apresentação do projeto é o primeiro passo rumo à realização da obra. “Com o projeto apresentado e aprovado pela comunidade na audiência pública, a Comissão de Pesca encaminhará a proposta aos governos estadual e federal em busca de recursos. Paralelamente, a prefeitura iniciará o licenciamento ambiental e obterá as autorizações da Marinha e demais órgãos”, declarou.

Zé Milton frisou ainda a relevância regional do empreendimento. “Passo de Torres tem mais de 50 embarcações e cerca de mil pessoas que dependem diretamente da pesca. Já ocorreram muitas mortes nesse canal, e o poder público precisa garantir segurança aos pescadores e suas famílias.” O deputado Tiago Zilli (MDB) avaliou que a mobilização popular evidencia a aproximação da Assembleia com as necessidades da sociedade. “É um problema que se arrasta por mais de 50 anos, e a forte participação mostra como o assunto impacta a vida dos pescadores e do município.”

O oceanólogo Maurício Torronteguy, responsável pelo projeto, explicou que a extensão visa corrigir o desequilíbrio entre os molhes de Passo de Torres e os de Torres (RS), diminuindo a formação de bancos de areia. “O molhe norte é mais curto, o que prejudica a eficiência hidráulica e favorece o acúmulo de sedimentos. Com a ampliação, o escoamento da água e as condições de navegação serão melhorados”, detalhou. A obra está orçada em cerca de R$ 14 milhões e deve levar aproximadamente um ano e meio para ser concluída, considerando mobilização, construção e licenciamento.

O presidente da Colônia de Pescadores de Passo de Torres, Adriano Joaquim, descreveu as dificuldades diárias enfrentadas. “Os bancos de areia encalham as embarcações na barra. Já perdemos barcos e tivemos acidentes, e mais de 40 pescadores morreram desde 1973. Essa obra é esperança para que novas tragédias sejam evitadas.” Ele também salientou o peso econômico da pesca no município: mais de 400 pescadores atuam em alto-mar, movimentando cerca de cinco mil toneladas de pescado por ano.

O prefeito Valmir Rodrigues afirmou que o prolongamento dos molhes terá reflexos diretos na segurança, no turismo e na arrecadação municipal. “Muitos barcos carregados não conseguem entrar e acabam descarregando em outras cidades, gerando prejuízo a Passo de Torres. Queremos dar segurança aos pescadores e fortalecer a economia.” O aposentado Raul Pavão, que há mais de quatro anos frequenta o molhe e as margens do rio para lazer, acredita que a obra beneficiará todos. “Vai ser bom para os pescadores e também deve atrair mais turistas e movimento para a cidade”, opinou.

Fonte: Assembleia SC

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