O Fluminense entra em campo nesta quarta-feira (27) para enfrentar o Deportivo La Guaira, no Maracanã, em partida válida pela última rodada da fase de grupos da Libertadores. O confronto é tratado internamente como o mais importante da temporada até agora, com potencial para alterar os rumos esportivos e financeiros do clube em 2026.
Apesar de ainda ter chances de classificação no Grupo C, o Tricolor chega pressionado pelo desempenho irregular na competição, pela instabilidade emocional em jogos decisivos e pelos recorrentes problemas defensivos. A classificação tornou-se uma necessidade financeira dentro do planejamento do clube, e a sensação nos bastidores é de que a equipe não deveria ter chegado a este ponto dependendo de resultados alheios.
A mudança de sede do confronto entre Bolívar e Independiente Rivadavia, transferido por determinação da Conmebol de La Paz para Santa Cruz de la Sierra (praticamente ao nível do mar), aumentou o otimismo interno no CT Carlos Castilho. Sem o fator altitude, o Fluminense acredita que as chances de tropeço do Bolívar cresceram. No entanto, a necessidade de torcer contra outro adversário incomoda a liderança, que reconhece que a campanha ficou abaixo do esperado desde o início.
O Fluminense conquistou apenas uma vitória em cinco jogos na Libertadores, com dois empates e duas derrotas. Esse desempenho transformou uma rodada teoricamente controlável em uma final antecipada no Maracanã.
A competição deixou de ser apenas uma preocupação esportiva e passou a impactar diretamente as finanças do clube. Até o momento, o Fluminense deixou de embolsar cerca de R$ 7 milhões em bônus por vitórias na fase de grupos. Cada triunfo rende 340 mil dólares (aproximadamente R$ 1,75 milhão). Como venceu apenas uma partida em cinco rodadas, a arrecadação ficou muito abaixo da projeção inicial.
Em um cenário ideal, com seis vitórias na fase de grupos, o clube poderia ter arrecadado cerca de R$ 15,6 milhões antes mesmo do mata-mata. Até agora, somando a participação e o bônus pela única vitória, o Fluminense faturou aproximadamente R$ 6,9 milhões. Uma eventual eliminação obrigaria a equipe a buscar compensações em outras frentes na temporada, aumentando a necessidade de vendas na próxima janela de transferências. Jogadores que antes só sairiam mediante propostas consideradas irrecusáveis podem ter seus valores reduzidos para equilibrar o orçamento. Além disso, o clube passaria a depender mais das premiações da Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro.
Defensivamente, o cenário preocupa cada vez mais. A derrota para o Mirassol no último sábado ampliou uma sequência negativa: o time sofreu gols nos últimos nove jogos da temporada, totalizando 12 gols sofridos nesse período. A instabilidade defensiva tornou-se um dos principais temas internos antes da decisão contra o La Guaira.
Após a vitória por 2 a 1 sobre o Bolívar, o goleiro Fábio fez uma análise dura sobre o momento defensivo da equipe. Ele afirmou que todas as situações precisam ser corrigidas, destacando que os gols sofridos são evidentes na defesa, mas envolvem o grupo todo. Fábio ressaltou a necessidade de observar e corrigir rapidamente as falhas no dia a dia, focando na marcação e na atenção constante para não dar oportunidades aos adversários, que muitas vezes não se devem à qualidade do oponente, mas a erros próprios, desorganização e falhas de leitura do time.
A fala do goleiro expõe um sentimento compartilhado internamente: muitos gols sofridos nasceram de erros individuais e coletivos, e não necessariamente da qualidade dos adversários. Outro ponto que preocupa é a dificuldade emocional em jogos decisivos, evidenciada na partida contra o Bolívar. O Fluminense precisava vencer por três gols de diferença para depender apenas de si e começou bem, com intensidade alta e gol cedo de Lucho Acosta. No entanto, o cenário ideal rapidamente se transformou em ansiedade: o time acelerou excessivamente as jogadas, atacou de forma desorganizada e abriu espaços defensivos. O empate boliviano ocorreu justamente em um momento de descontrole emocional e defensivo.
Ofensivamente, o Fluminense produz volume, cria chances e controla muitos jogos, mas não consegue transformar isso em contundência. Contra o Bolívar, o time terminou com 74% de posse de bola, 24 finalizações, 2.2 de xG, 5 grandes chances criadas e 4 grandes chances desperdiçadas. Esse roteiro se repetiu em diversas partidas da temporada.
Apesar da pressão externa, o técnico Luis Zubeldía segue respaldado pela diretoria. A avaliação interna é de que o trabalho teve momentos positivos suficientes para justificar sua permanência, considerando o contexto da temporada e os desfalques importantes. O clube entende que a pausa para a Copa do Mundo pode ser importante para reorganizar o elenco, incorporar reforços como Hulk e fazer ajustes necessários.
Fonte: Lance







