FOTOGRAFIACaçadores de geada enfrentam -9°C e congelam roupas para registrar inverno em SC

Na primeira semana do inverno, a região serrana de Santa Catarina registrou temperaturas negativas por três dias consecutivos, atingindo a menor marca do ano: -9,2°C em Bom Jardim da Serra. Esse frio intenso deu origem ao fenômeno da geada, que cobre campos e vegetação com uma fina camada de gelo.

Para registrar essas paisagens congeladas, um grupo de fotógrafos acorda bem cedo, por volta das 5h, e se posiciona nos pontos mais frios. Eles são conhecidos como “caçadores de geada” e dedicam suas manhãs a capturar imagens impressionantes do inverno.

Mycchel Legnaghi, fotógrafo de São Joaquim, é um deles. Ele já realizou feitos inusitados, como deitar sobre um lago congelado e vestir camisetas endurecidas pelo gelo. Apesar do desconforto, ele afirma que o esforço vale a pena quando vê suas fotos publicadas em veículos nacionais e internacionais.

“Chego e vejo que as imagens saíram dos principais jornais do Brasil e do mundo. Vejo os turistas indo para cá. Isso me dá muito orgulho”, conta Mycchel. A inspiração para se tornar um caçador de geada veio de uma reportagem do Jornal Nacional nos anos 1990, que mostrava objetos congelados como sapatos e camisetas.

Em Bom Jardim da Serra, o produtor de maçãs Sérgio Felipe Rodrigues também se aventura nas manhãs geladas. Ele começou há oito anos depois de questionar por que ninguém registrava a geada em sua cidade. O pai respondeu que “não tem quem faça”, e Sérgio decidiu assumir a missão.

O fotógrafo enfrenta o frio extremo para filmar e fotografar a geada, encantando quem não conhece o fenômeno e até mesmo os moradores locais. As imagens mostram campos brancos, poças d’água cristalizadas e cachorros brincando no gelo.

A geada se forma sob condições específicas: noites sem vento, céu com poucas nuvens e temperaturas abaixo de 5°C. O vapor d’água do ar se condensa em orvalho, que congela em cristais sobre a vegetação e objetos, criando cenários deslumbrantes.

Mycchel já vestiu uma camiseta congelada em meio a temperaturas negativas, uma cena que rendeu fotos famosas. Ele também registra poças d’água completamente congeladas e turistas encantados com o fenômeno.

Sérgio, além de fotografar, produz conteúdo para redes sociais, mostrando a rotina dos caçadores de geada. Ele destaca que o frio é desafiante, mas a beleza das paisagens compensa o esforço.

Os caçadores de geada monitoram as áreas mais frias antes do amanhecer, equipados com câmeras e roupas térmicas. O objetivo é sempre encontrar o cenário perfeito para retratar o inverno catarinense.

O fenômeno é recorrente na Serra Catarinense durante o inverno, mas este ano chamou atenção pela intensidade. Com temperaturas abaixo de -9°C, a geada cobriu vastas áreas, proporcionando imagens espetaculares.

Mycchel e Sérgio esperam que seu trabalho ajude a divulgar a região e atrair turistas. Eles acreditam que as fotografias congeladas no tempo são uma forma de mostrar a força da natureza e o encanto do inverno.

Fonte: NSC Total

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