O conselheiro de Bem-Estar da Região da Lombardia, Guido Bertolaso, anunciou nesta segunda-feira que os dois casos suspeitos de Ebola no território italiano foram descartados após exames laboratoriais. Os pacientes, que retornaram de Uganda no dia 24 de maio, estavam hospitalizados sob suspeita da doença.
Segundo nota oficial, os testes virológicos realizados no laboratório de referência do hospital Sacco, em Milão, não detectaram a presença do vírus Ebola. Além disso, os exames também foram negativos para malária e outros patógenos respiratórios.
Bertolaso informou que os pacientes continuam em observação por especialistas em doenças infecciosas, que agora investigam a possibilidade de uma infecção gastrointestinal de origem bacteriana. Ambos testaram positivo para a bactéria Shigella.
Os dois indivíduos são um homem de 31 anos, que apresentou febre, náuseas e vômitos, e uma mulher de 33 anos, com febre alta, calafrios, dor de cabeça, náuseas, vômitos e confusão mental. Eles fazem parte de um grupo de sete pessoas que retornaram no dia 24 de maio de Uganda, onde permaneceram por cerca de três meses em trabalho voluntário.
Assim que os sintomas surgiram após o retorno à Itália, as autoridades de saúde acionaram imediatamente os protocolos de segurança e vigilância para casos suspeitos de Ebola. Os pacientes foram transferidos para o hospital Sacco, em Milão, que é um centro nacional de referência para doenças infecciosas e conta com enfermarias de alto isolamento.
Os demais membros do grupo que voltaram de Uganda e alguns contatos familiares foram colocados em isolamento domiciliar e estão sendo monitorados pelas autoridades de saúde.
Na mesma segunda-feira, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, atualizou o número de casos no surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC): mais de 900 casos suspeitos, dos quais 101 confirmados, e 220 mortes. Na sexta-feira anterior, eram quase 750 casos e 177 óbitos.
O Ministério da Saúde de Uganda confirmou que o número de casos confirmados no país vizinho subiu para sete. Esse cenário levou o chefe da OMS a decretar emergência de saúde pública de importância internacional, o nível mais alto de alerta da organização, em meados de maio. Na ocasião, Tedros expressou preocupação com a rapidez da disseminação do Ebola.
Esta é a nona vez que a OMS ativa o mais alto nível de alerta, sendo a terceira relacionada ao vírus Ebola.
O Ebola é uma zoonose, ou seja, uma doença que circula entre animais. Morcegos frugívoros são considerados os principais reservatórios naturais do vírus, e a infecção em humanos ocorre pelo contato próximo com sangue ou secreções de animais contaminados. Posteriormente, o vírus pode se espalhar entre humanos pelo contato direto com sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas ou por superfícies contaminadas.
A doença é causada por vírus do gênero Orthoebolavirus, da família Filoviridae. Existem seis espécies, das quais três são conhecidas por causar grandes surtos, segundo a OMS: Ebola Zaire (EBOV), Sudão (SUDV) e Bundibugyo (BDBV).
As espécies Zaire e Sudão são as mais comuns em surtos africanos. No entanto, a emergência atual é causada pela espécie Bundibugyo, que só havia sido detectada anteriormente em surtos de 2007 e 2012. Uma das dificuldades é que não há vacinas ou tratamentos específicos para essa espécie, como existem para o Zaire, devido à sua raridade, o que dificulta a realização de testes de eficácia e segurança.
Fonte: O GLOBO







