AGROPECUÁRIACEO da JBS vê Brasil e EUA como eixo estratégico para segurança alimentar global

O CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, afirmou que Brasil e Estados Unidos mantêm uma relação comercial estratégica que deve se fortalecer em meio a crescentes preocupações com segurança alimentar, desafios logísticos e instabilidade econômica. “Somos nações complementares na produção de alimentos”, disse o executivo durante o Summit Valor Brazil-USA, realizado em 13 de maio em Nova York. Para Tomazoni, a segurança alimentar transcendeu a esfera econômica e agora faz parte da agenda governamental. Nesse contexto, ambos os países possuem escala produtiva, capacidade de abastecimento e infraestrutura para desempenhar um papel central no mercado global de proteínas. “Brasil e EUA podem ser uma parte fundamental da solução para essa inquietação mundial”, afirmou. “São nações aptas a expandir a oferta, garantir o fornecimento e reagir a momentos de maior tensão global sobre os alimentos.”

Tomazoni destacou que o mercado mundial de proteína continua estruturalmente robusto, impulsionado pelo crescimento populacional, aumento da renda em economias emergentes e transformações nos hábitos de consumo em diversas regiões. Para ele, os dois países têm uma oportunidade real de progredir em conjunto, combinando escala, tecnologia, recursos naturais e capacidade de execução. O executivo ressaltou que a estratégia da companhia não é afetada por ciclos políticos ou volatilidade de curto prazo. Segundo ele, a JBS mantém uma visão estrutural de longo prazo e segue ampliando investimentos nos Estados Unidos, onde gera 52% de seu faturamento global. “Os ciclos políticos passam, e nós investimos onde enxergamos competitividade e criação de valor”, declarou.

Tomazoni reforçou que a JBS opera nos EUA como uma empresa local. Atualmente, a companhia possui mais de 90 unidades produtivas espalhadas por 31 estados americanos, emprega cerca de 78 mil funcionários e trabalha em parceria com mais de 10 mil produtores rurais no país. A presença industrial da JBS nos EUA teve início em 2007, com a aquisição da Swift. Desde então, a empresa já investiu mais de US$ 14 bilhões no mercado americano, entre aquisições, expansões e modernizações operacionais. Nos últimos meses, a JBS anunciou uma nova rodada de investimentos no país, incluindo a ampliação da unidade de carne bovina em Cactus, no Texas, novos projetos industriais em Iowa e a expansão das operações da Pilgrim’s na Geórgia.

Parte desses investimentos está direcionada ao fortalecimento da plataforma de alimentos preparados e de conveniência, como filés, empanados, embutidos e outros derivados de frango e suíno, que oferecem margens superiores às da carne in natura. O plano de expansão também prevê aumento de produtividade, ganhos de eficiência operacional e fortalecimento de marcas nos Estados Unidos. Na unidade de Cactus, uma das maiores operações da companhia no país, a JBS está investindo US$ 150 milhões para ampliar a capacidade de desossa e produção de carne moída, com conclusão prevista para o início de 2027. Em Iowa, os projetos incluem novas estruturas produtivas em Ankeny, voltadas à fabricação de bacon e linguiça prontos para consumo, com investimento de US$ 100 milhões. A unidade receberá matéria-prima de uma segunda fábrica em Perry (Iowa), onde a JBS investiu US$ 135 milhões na produção de linguiças frescas.

A companhia também vem expandindo sua presença com marcas direcionadas ao consumidor americano. Um dos destaques é a Just Bare, marca de frango da JBS nos EUA, que superou US$ 1 bilhão em vendas anuais no varejo em 2025. Em dois anos, a marca conquistou 12% do mercado norte-americano de alimentos preparados prontos para consumo. Tomazoni afirmou que a combinação entre presença local nos Estados Unidos e capacidade exportadora do Brasil permite à companhia gerenciar ciclos mais desafiadores do setor com maior flexibilidade operacional. Segundo o executivo, o atual cenário da pecuária norte-americana continua pressionado pela baixa oferta de animais e pelos efeitos climáticos acumulados nos últimos anos. Ainda assim, a empresa mantém uma visão positiva de longo prazo para o setor. “O preço da carne depende da oferta e da demanda, como qualquer outro produto”, disse Tomazoni durante o painel.

Para Tomazoni, a relação entre Brasil e Estados Unidos no setor de alimentos tende a se tornar ainda mais necessária nos próximos anos, justamente porque os dois países ocupam posições distintas e essenciais dentro da cadeia global. Enquanto os EUA concentram consumo, escala industrial e uma operação local robusta, o Brasil se destaca como fornecedor global e plataforma competitiva de produção. Na avaliação do executivo, essa integração ganha importância em um ambiente onde segurança alimentar, previsibilidade de abastecimento e capacidade de execução se tornaram fatores estratégicos para governos e empresas. “Quando há equilíbrio entre oferta, produção e comércio, toda a cadeia se torna mais eficiente”, concluiu Tomazoni.

Fonte: O GLOBO

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