Agentes da Polícia Federal realizaram na manhã desta terça-feira uma operação na cobertura do ex-governador Cláudio Castro, na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio de Janeiro. A ação integra uma investigação sobre aportes feitos pelo Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio (Rioprevidência) e cumpre 10 mandados de busca e apreensão.
Na entrada do condomínio Península, o advogado Carlo Luchione informou que dois aparelhos celulares foram recolhidos no local. Um deles era um modelo antigo, sem uso, e o outro havia sido adquirido após a primeira busca, ocorrida há cerca de dez dias. Luchione classificou a operação como uma surpresa e afirmou que Castro colaborou com as buscas, sem qualquer incidente.
Esta é a segunda operação da PF contra Castro em onze dias. Na ocasião anterior, as investigações tratavam de fraudes no setor de combustíveis. O advogado destacou que, embora os casos sejam distintos, considera o momento eleitoral como um possível pano de fundo. Ele ressaltou que as operações não são políticas, mas baseadas em indícios, e mencionou que as ações envolvem o Banco Master e o aval do Banco Central. Luchione disse ainda que ainda não teve acesso à decisão judicial e não compreende o tipo de envolvimento atribuído a Castro.
O ex-governador, que renunciou ao cargo em março deste ano para concorrer ao Senado nas próximas eleições, foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder político e econômico na campanha de 2022, tornando-se inelegível até 2030. Durante as buscas, acompanhadas com serenidade por Castro, o imóvel também era ocupado pela esposa e pela sogra do alvo da operação.
A investigação é um desdobramento da Operação Barco de Papel, que identificou aportes suspeitos do Rioprevidência em letras financeiras do Banco Master, totalizando cerca de R$ 970 milhões entre outubro de 2023 e julho de 2024. Nesta nova fase, a PF apura também aplicações de aproximadamente R$ 2,01 bilhões em fundos de investimento ligados ao mesmo banco, a partir de julho de 2024. Somadas, as transferências do Rioprevidência teriam alcançado cerca de R$ 3 bilhões.
Os recursos seriam provenientes principalmente do Rioprevidência, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil beneficiários estaduais, e da Cedae, estatal de abastecimento de água do estado. O Banco Master foi liquidado em novembro, após a prisão de seu fundador, Daniel Vorcaro, sob suspeita de fraudes financeiras. A PF investiga o pagamento de propina a agentes públicos para ampliar os aportes no Master, a criação de fundos fictícios para inflar o valor do banco e o uso de uma rede de fundos de investimento para ocultar a origem dos recursos.
As suspeitas são de que Vorcaro usava suas relações com políticos para obter vantagens. Nesse contexto, a PF apura irregularidades nos aportes feitos pela Rioprevidência, então comandado por Deivis Marcon Antunes, indicado por integrantes do União Brasil. Nesta terça-feira, os agentes cumpriram 10 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal. Além de Castro, são alvo membros e ex-membros do Rioprevidência. As ordens foram emitidas pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal.
Fonte: O GLOBO







