Onze dias após a primeira incursão da Polícia Federal no condomínio Península, na Barra da Tijuca, Zona Sul do Rio, os agentes retornaram ao local nesta terça-feira para cumprir novas ordens judiciais. Desta vez, o ex-governador Cláudio Castro, alvo da operação, reside em uma cobertura no mesmo bloco, avaliada em R$ 4 milhões. O valor foi estimado com base em imóveis similares no endereço.
A cobertura, que passou por uma ampla reforma recentemente, possui mais de 300 metros quadrados, com piscina cercada por vidros e área de lazer arborizada. Localizada no centro do condomínio, às margens da Lagoa da Tijuca, o imóvel foi alvo da ação policial na manhã de hoje. Durante a operação, Castro estava acompanhado da esposa e da sogra, e, segundo seu advogado Carlo Luchione, colaborou com as buscas de forma serena. Dois aparelhos celulares do ex-governador foram apreendidos.
A nova fase da investigação tem como foco aportes realizados pelo Governo do Estado do Rio, por meio do Rioprevidência, em fundos vinculados ao Banco Master. Além de Castro, são investigados integrantes e ex-integrantes do órgão previdenciário. As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF).
O caso é um desdobramento da Operação Barco de Papel, que identificou transferências suspeitas do Rioprevidência para letras financeiras do Master. Entre outubro de 2023 e julho de 2024, essas operações movimentaram cerca de R$ 970 milhões. Nesta nova etapa, a Polícia Federal apura ainda aplicações de aproximadamente R$ 2,01 bilhões realizadas a partir de julho de 2024 em fundos de investimento ligados ao banco. Somadas, as transferências do Rioprevidência somariam cerca de R$ 3 bilhões.
Os recursos teriam saído principalmente do Rioprevidência, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de aproximadamente 235 mil beneficiários estaduais, e da Cedae, estatal de abastecimento de água do Rio. O Banco Master foi liquidado em novembro, após a prisão de seu fundador, Daniel Vorcaro, por suspeita de fraudes financeiras. A PF investiga o pagamento de propina a agentes públicos para ampliar os aportes no Master, a criação de fundos fictícios para inflar o valor do banco e o uso de uma rede de fundos de investimento para ocultar a origem dos recursos. As suspeitas indicam que Vorcaro se valia de suas relações com políticos para obter vantagens. Nesse contexto, a PF apura irregularidades nos aportes feitos pela Rioprevidência, então comandada por Deivis Marcon Antunes, indicado ao cargo por lideranças do União Brasil.
Fonte: O GLOBO







