A deputada estadual Luciana Genro (PSOL) agendou uma audiência pública para o dia 10 de junho, com o objetivo de discutir as condições de trabalho e o aumento de casos de adoecimento entre os Assistentes de Procuradoria de Justiça do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS). A sessão está marcada para as 19h, no Plenarinho da Assembleia Legislativa, e foi convocada em regime de urgência após a morte da servidora Laura Emília Nunes.
De acordo com relatos de colegas e entidades sindicais, Laura Emília teria procurado apoio psicológico dentro da instituição em várias ocasiões, reportando o agravamento de seu estado de saúde devido à pressão constante e às demandas excessivas do trabalho. A deputada classificou o falecimento como uma tragédia anunciada, destacando que nenhum trabalhador deveria ter sua saúde prejudicada por uma rotina de exaustão, pressão contínua e falta de condições adequadas.
Informações apontam que, mesmo durante licença médica, a servidora continuou realizando atividades profissionais, evidenciando uma cultura organizacional que normaliza a cobrança excessiva, o esgotamento e a impossibilidade de se desconectar do trabalho. Os servidores relatam que práticas similares ainda são comuns, ocorrendo em períodos de férias, licenças, fins de semana, feriados e durante a noite, prejudicando o direito ao descanso e aumentando os riscos de problemas de saúde mental.
Em um manifesto enviado à deputada, o Sindicato dos Servidores do Ministério Público do Rio Grande do Sul (SIMPE/RS) argumenta que a morte de Laura não deve ser vista como um caso isolado, mas sim dentro de um quadro prolongado de adoecimento e precarização das condições laborais. Uma pesquisa realizada pelo sindicato revelou que mais de 10% dos servidores apresentam alto risco de desenvolver a Síndrome de Burnout.
Diante da gravidade das denúncias, Luciana Genro já protocolou um pedido de informações ao Ministério Público, cobrando esclarecimentos sobre as medidas adotadas para evitar que servidores doentes continuem trabalhando em situação de vulnerabilidade física e psicológica. A parlamentar também exige providências estruturais imediatas para combater a sobrecarga e assegurar condições dignas, humanas e seguras de trabalho.
A audiência pública, realizada em parceria com o SIMPE-RS, insere-se nesse contexto de mobilização. Para a deputada, em meio a debates como o fim da escala 6×1, é fundamental que as instituições assumam sua responsabilidade diante do aumento do adoecimento entre os servidores e interrompam práticas que naturalizam o esgotamento e colocam vidas em risco.
O evento contará com a participação de representantes dos servidores, especialistas em saúde do trabalhador e autoridades do MP-RS. A expectativa é que a discussão ajude a propor soluções para reduzir a carga de trabalho e melhorar o ambiente laboral.
Casos como o de Laura Emília Nunes têm gerado comoção e levado a uma reflexão sobre a necessidade de mudanças na gestão de pessoal no serviço público. A pressão por resultados e a falta de recursos humanos adequados são apontadas como fatores que contribuem para o estresse e o adoecimento.
Luciana Genro reforçou que a saúde dos trabalhadores deve ser prioridade e que a audiência pública é um passo importante para dar visibilidade ao problema e cobrar ações efetivas das instituições envolvidas.
Fonte: Assembleia RS







