Durante a sessão ordinária desta terça-feira (30), no Plenário da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), deputados discutiram temas como fiscalização de recursos públicos, investimentos na saúde e desafios na formação médica no Brasil.
O deputado Dr. Vicente Caropreso (União) abordou a formação médica no país e no estado. Ele relembrou o início de sua carreira e destacou as transformações no mercado de trabalho da medicina. “Na época, éramos poucos médicos fazendo plantões, com grande carga horária. Hoje, recém-formados têm dificuldade para encontrar trabalho. Muitos disputam um plantão ou ficam em listas de espera para substituir colegas”, relatou. Caropreso criticou a expansão dos cursos de medicina e manifestou preocupação com a qualidade do ensino. Segundo ele, o Brasil conta atualmente com cerca de 500 cursos de medicina, oferecendo mais de 50 mil vagas por ano, das quais aproximadamente 80% em instituições privadas. “Chegamos a um momento de grandes decisões. Acreditou-se que a proliferação dos cursos traria mais qualidade à saúde, mas ocorreu o contrário. Vemos colegas sem formação adequada e não há mecanismos suficientes para avaliar essa situação”, afirmou. O parlamentar defendeu maior rigor por parte das autoridades e conselhos profissionais. “Não podemos continuar abrindo cursos indefinidamente. Acima de tudo, devemos fiscalizar para que os estudantes tenham a formação e o conhecimento necessários. Queremos rigor diante da péssima formação médica que está acontecendo”, concluiu.
O deputado Oscar Gutz (PL) comemorou o início da construção do Centro de Radioterapia do Hospital Regional do Alto Vale, em Rio do Sul. Ele ressaltou que a obra é uma conquista aguardada por anos pela comunidade. “Após muitos anos de espera, com envolvimento de entidades e da comunidade, esse projeto se torna realidade. O câncer já expõe uma batalha difícil e ainda havia a necessidade de viajar para o tratamento”, disse. Para Gutz, a implantação do serviço trará mais qualidade de vida aos pacientes oncológicos. “Com a radioterapia em Rio do Sul, os pacientes terão menos tempo na estrada e mais tempo ao lado da família”, acrescentou.
O deputado Mário Motta (PSD) destacou a importância da fiscalização parlamentar como instrumento de transparência e aprimoramento das políticas públicas. Segundo ele, fiscalizar vai além de apontar problemas, sendo uma responsabilidade permanente do mandato. “Fiscalizar fortalece a transparência e dá oportunidade para que qualquer cidadão analise como os recursos são aplicados. Ganha a sociedade e o poder público”, afirmou. Motta explicou que seu gabinete desenvolveu ferramentas para ampliar o acesso da população às informações públicas, como o terceiro painel inteligente chamado “Escola Regularizada”, voltado ao acompanhamento de dados da educação.
O deputado Volnei Weber (MDB) registrou o aniversário de 91 anos do Hospital Santa Teresinha de Braço do Norte, que recentemente inaugurou a ampliação de sua estrutura com leitos de UTI. Ele se emocionou ao destacar que uma das alas da UTI receberá o nome de seu filho, João Lucas Weber, morto aos 15 anos em um acidente de trânsito. Há 18 anos, o hospital não tinha estrutura para pacientes graves. “A dor daquela perda não poderia terminar apenas em saudade, precisava se transformar num propósito para que nenhuma família mais sofresse pela falta de estrutura”, disse Weber, que buscou recursos para o hospital desde que iniciou sua trajetória na Alesc. “Não existe homenagem capaz de apagar a ausência de um filho. Mas saber que o nome do João Lucas estará num lugar onde vidas serão salvas traz um significado impossível de descrever.” Em aparte, o presidente da Alesc, deputado Julio Garcia (PSD), destacou a atuação de Weber em prol do hospital. Já o deputado Mário Motta (PSD) afirmou que transformar “uma dor devastadora em um ato de amor e proteção para outras famílias é uma das demonstrações mais nobres e emocionantes que eu já vi.”
Na sessão, foram aprovados dois projetos de lei. O PL 57/2025, do deputado Sargento Lima (PL), declara o “Tiro dos Reis” como Patrimônio Cultural do Estado de Santa Catarina. Segundo Lima, trata-se de uma manifestação cultural de origem germânica que se consolidou como importante tradição trazida pelos imigrantes alemães. O PL 97/2026, do deputado Napoleão Bernardes (PSD), denomina “Medalha Sarah Louise Held” a medalha concedida à atleta campeã do caratê nos Jogos Abertos de Santa Catarina (Jasc), a partir da 65ª edição deste ano. A homenagem é à carateca catarinense, campeã mundial em 2024 na categoria kumitê, que faleceu em acidente de trânsito aos 18 anos.
Fonte: Assembleia SC








