Uma servidora do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) percebeu que sua senha funcional foi usada sem autorização e comunicou o fato à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e ao próprio órgão. Em investigação interna, o Detran-DF identificou mais de 600 operações suspeitas realizadas com a matrícula da funcionária, algumas em horários em que ela não estava trabalhando. A primeira fase da operação policial foi deflagrada em janeiro deste ano.
Segundo o delegado Thiago Boeing, as provas coletadas revelaram a estrutura do esquema criminoso, que teria como líder um servidor do Detran-DF. O órgão afirma que descobriu as irregularidades por meio de monitoramento interno e cruzamento de dados de segurança. “A própria autarquia realizou apuração administrativa inicial que contribuiu para a identificação de transações irregulares e para o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Civil”, informou em nota.
O grupo contava com a participação de despachantes que recrutavam interessados nos serviços ilegais, cobrando cerca de R$ 2 mil por cada fraude. Os valores eram depositados na conta bancária da esposa do servidor investigado, apontado como responsável por executar as alterações com ajuda de terceiros. Inicialmente, o esquema usava a senha da servidora que denunciou o caso; depois que o acesso foi perdido, os suspeitos criaram usuários “fantasmas”, sem vínculo com o órgão, mas com permissão para inserir dados falsos no sistema.
Além das transferências fraudulentas de veículos, a polícia constatou a remoção irregular de restrições administrativas e multas. Durante o período investigado, a organização criminosa movimentou aproximadamente R$ 1 milhão.
Nesta terça-feira (26/5), agentes da 17ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte) cumprem cinco mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão. A operação, batizada de Ghost Operator, apura uma organização criminosa que acessou indevidamente os sistemas do Detran-DF. As investigações indicam que um servidor do órgão e sua esposa operavam o esquema milionário usando a senha funcional de uma funcionária. As diligências ocorrem em Brasília (DF), Valparaíso (GO), Teresina (PI) e Santiago (RS), além do sequestro de valores. A ação conta com apoio das polícias civis do Piauí e do Rio Grande do Sul.
As investigações começaram há cerca de um ano, depois que uma vítima percebeu que seu veículo havia sido transferido fraudulentamente para outro dono. O Detran-DF afirmou que identificou as transações suspeitas por procedimentos internos e atuou em conjunto com a PCDF. A servidora também registrou ocorrência na delegacia, dando início a uma apuração conjunta.
As investigações revelaram acessos externos irregulares ao sistema do Detran, usados para realizar transferências fraudulentas. O grupo cadastrava processos de transferência sem documentação ou com documentos falsificados, aprovando posteriormente os procedimentos por meio de invasões. Os suspeitos foram indiciados por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos, lavagem de capitais e falsidade ideológica.
“A autarquia contribui ativamente com as apurações, fornecendo informações técnicas, registros de acesso e elementos de rastreabilidade que auxiliaram na identificação de padrões de invasão e dos endereços de origem das conexões fraudulentas”, diz a nota do Detran-DF. O órgão informou que adota medidas permanentes de reforço da segurança e revisão constante dos perfis de acesso. Em casos de envolvimento de servidores, são adotadas ações administrativas imediatas, como afastamento do setor e bloqueio de acessos, podendo o funcionário responder a Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
O diretor-geral do Detran-DF, Marcu Bellini, afirmou que a integração com a polícia foi essencial para o avanço das apurações. “Estamos atentos e trabalhando em conjunto com a Polícia Civil para identificar os responsáveis por essas ações criminosas”, declarou.
Fonte: Metrópoles







