O governo do Estado, por meio do Departamento Estadual de Trânsito (DetranRS), promoveu, na sexta-feira (29/5), uma capacitação para empresas credenciadas como Centros de Desmanches de Veículos (CDVs) no Rio Grande do Sul. O primeiro Reciclatran aconteceu no Centro de Convenções da Fiergs, em Porto Alegre, com apoio do Sindicato do Comércio Varejista de Veículos e Peças Usadas do RS (SindCDV).
O otimismo pautou o clima dos representantes do setor. Passados dez anos da lei que regulamentou a atividade de desmanche e venda de peças usadas no país, o mercado avança na modernização e aposta no crescimento do segmento. A regulamentação da atividade, combinada à fiscalização, ajudou a reduzir em 90% o roubo de veículos no Rio Grande do Sul nos últimos dez anos. “Quando veio a lei dos desmanches, em 2014, muitos de nós achamos que era o fim do nosso negócio. Hoje percebemos que foi o início da profissionalização e valorização do setor”, afirmou o presidente do SindCDV, Renato Nunes Souza.
E esse é um mercado que tende a expandir significativamente, conforme apontou o chefe da Divisão de Desmanches do DetranRS, Cristiano Medeiros. Atualmente, apenas 2% da frota nacional que sai de circulação é destinada ao desmonte ou à reciclagem, enquanto no Japão esse percentual chega a 85%. “O que o mercado de vocês oferece hoje é solução. Não só para o cliente, que pode comprar peças com origem certificada a valores mais baixos, mas também para o meio ambiente, para a economia e para a segurança pública”, destacou Medeiros.
A secretária-adjunta de Segurança Pública, Adriana Regina da Costa, reforçou o impacto do setor na redução da criminalidade: “Quando fortalecemos cadeias produtivas organizadas, fiscalizadas e comprometidas com a legalidade, também impulsionamos o combate à receptação, ao comércio ilegal de peças e às organizações criminosas que atuam nesse segmento. Segurança pública se constrói com integração, inteligência e cooperação entre Estado, instituições e iniciativa privada”, afirmou.
O modelo gaúcho é referência nacional: o Estado conta com 421 empresas credenciadas e soma mais de 15 milhões de peças vendidas em uma década. Foram 246 mil veículos desmontados para revenda, equivalentes a 330 mil toneladas de material reciclado ou 900 mil toneladas de CO2 não emitidas. No painel “O desmonte do futuro já começou”, especialistas abordaram as oportunidades trazidas pelo Programa Renovar (Lei 14.440/2022) e pelo Programa Mover (Lei 14.902/2024), que colocam as empresas de reciclagem e desmonte no centro da estratégia econômica.







