FINANÇASDólar opera estável com ataques dos EUA no Irã e espera por acordo

O dólar apresentava leve queda na manhã desta terça-feira (26/5), em um cenário de agenda econômica esvaziada e de expectativa quanto a um possível pacto entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio. Às 10h01, a moeda americana recuava 0,18%, sendo negociada a R$ 5,01. No início do pregão, às 9h11, o dólar subia 0,03%, cotado a R$ 5,021, praticamente sem variação. A máxima do dia até aquele momento era de R$ 5,028, e a mínima, de R$ 5,004. Na sessão anterior, a moeda fechou em baixa de 0,19%, a R$ 5,019. Com isso, o dólar acumula ganho de 1,35% no mês e perda de 8,57% no ano ante o real.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, operava em queda. Às 10h06, o indicador recuava 0,45%, aos 177 mil pontos. Na segunda-feira, o Ibovespa fechou em alta de 0,91%, aos 177,8 mil pontos. No mês de maio, a Bolsa acumula desvalorização de 5,07%; no ano, valorização de 10,36%.

As Forças Armadas dos Estados Unidos executaram novos bombardeios no sul do Irã nesta terça-feira, em paralelo às negociações diplomáticas para pôr fim à guerra iniciada no fim de fevereiro entre Washington, Israel e a República Islâmica. O Comando Central dos EUA (CentCom) divulgou comunicado afirmando que as operações foram realizadas em “autodefesa” e tiveram como alvo instalações militares iranianas associadas ao lançamento de mísseis e à colocação de minas subaquáticas. Segundo o Pentágono, os ataques foram “limitados” e ocorreram durante o cessar-fogo estabelecido entre os dois países em abril. “As operações foram projetadas para proteger nossas tropas das ameaças representadas pelas forças iranianas”, informou o CentCom.

Mais cedo, autoridades iranianas relataram explosões em Bandar Abbas, cidade portuária no litoral sul do país. A região abriga bases importantes da força aérea e da marinha iranianas, além de estar próxima ao Estreito de Ormuz, rota crucial para o comércio global de petróleo e ponto sensível do conflito. Segundo a emissora Fox News, duas embarcações da Guarda Revolucionária do Irã foram destruídas na operação. Também foi atingida uma posição de defesa antiaérea que, de acordo com os EUA, estaria apontada para aeronaves americanas. A agência semioficial iraniana Fars informou que a situação em Bandar Abbas era considerada “normal” durante a madrugada.

Os ataques ocorrem em um momento sensível das conversas diplomáticas entre EUA e Irã. Ambos mantêm um cessar-fogo desde 8 de abril, enquanto representantes tentam costurar um acordo definitivo para encerrar o conflito no Oriente Médio. Nos últimos dias, autoridades americanas demonstraram otimismo quanto a um avanço. No fim de semana, o presidente Donald Trump disse acreditar que um acordo estava próximo, mas depois endureceu o tom e ameaçou “explodir os iranianos em mil infernos” caso não houvesse consenso. O governo iraniano respondeu nesta segunda-feira, afirmando que ainda não há um entendimento próximo.

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, declarou que os países do Golfo não servirão mais como “escudo” para bases norte-americanas. A declaração, por escrito, foi divulgada pelo Telegram e pela televisão estatal. “O que é certo é que o tempo não retrocederá e as nações e terras da região não servirão mais de escudo para as bases americanas”, afirmou. Khamenei não aparece em público desde o início da guerra.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o acordo com o Irã pode “levar alguns dias” para ser fechado devido a divergências. A declaração veio logo após novos ataques americanos a embarcações iranianas no Estreito de Ormuz, classificados como “autodefesa”. “Vai levar alguns dias para resolvermos isso… até as divergências sobre uma palavra, uma frase”, disse Rubio a repórteres durante viagem à Índia. Ele disse acreditar que o acordo é possível e que o Estreito de Ormuz precisa permanecer aberto. “Houve algumas conversas em andamento no Catar hoje, então veremos se conseguimos avançar. Acho que há muita discussão sobre a linguagem específica do documento inicial”, afirmou. O Estreito de Ormuz, entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, é o gargalo energético mais importante do mundo, concentrando 20% a 30% do petróleo global e grande parte do GNL.

Fonte: Metrópoles

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