Os 20 anos da implantação do Circuito Ciclístico do Vale Europeu motivaram um encontro nesta terça-feira (30) com a participação de entusiastas e apoiadores do cicloturismo e do turismo de aventura. Durante o evento, foi divulgado um manifesto em defesa do turismo de natureza no Brasil. A reunião ocorreu na Assembleia Legislativa de Santa Catarina e contou com o apoio do gabinete do deputado Marquito (Psol), que exaltou o nível de organização alcançado pelo circuito. “É uma iniciativa que mostrou como é possível promover desenvolvimento econômico aliado à conservação ambiental, à valorização da cultura e à mobilidade ativa”, afirmou o parlamentar.
Um painel ampliou o debate sobre a relevância das trilhas e do turismo de aventura, com a participação da coordenadora da Rede Trilhas de Santa Catarina, Adriana Nunes, e do coordenador do centro de visitantes do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, Luiz Pimenta. A mediação foi feita por Luiz Saldanha, representante do Instituto de Planejamento Estratégico de Transportes e Turismo e Planet Aliança Bike. Celebrando duas décadas de história, o circuito é o principal destino de cicloturistas no Brasil e foi o primeiro roteiro planejado e estruturado no país especialmente para ser percorrido de bicicleta.
Adriana Nunes apresentou o Sistema Nacional de Trilhas (Sin Trilhas), lançado recentemente, e destacou a importância da governança integrada para a gestão de percursos, especialmente aqueles que envolvem unidades de conservação. “Trilhas conectam áreas protegidas, e é importante gerar engajamento da população, pois a atividade tem potencial de gerar emprego e renda”, disse.
O Circuito do Vale Europeu é reconhecido como um dos mais estruturados do país e venceu o Prêmio Nacional de Turismo de 2025 na subcategoria Trilhas de Longo Curso, concedido pelo Ministério do Turismo. A iniciativa aproximou ciclistas de administradores municipais por meio do Consórcio Intermunicipal do Médio Vale do Itajaí (Cimvi), entidades como a Associação Vale Europeu Catarinense, empresários e a comunidade local. Durante o evento, a Alesc também lançou a Conferência de Cicloturismo do Circuito Vale Europeu.
O roteiro atravessa nove municípios, com Timbó como ponto de partida e chegada: Pomerode, Indaial, Ascurra, Apiúna, Rodeio, Doutor Pedrinho, Rio dos Cedros e Benedito Novo. O circuito é profissionalizado e pode ser realizado com operadoras credenciadas, que oferecem transporte desde aeroportos, aluguel de bicicletas, carro de apoio, guia de pedal e para trilhas, além de atividades de turismo de aventura ao longo do percurso.
O trajeto completo tem mais de 300 quilômetros, programado para ser concluído em até sete dias, e não é recomendado para iniciantes. Há uma versão menor e menos exigente para quem tem menos preparo. O percurso é autoguiado, com sinalização completa, e começa e termina em Timbó, com média sugerida de 50 quilômetros por dia. A altimetria acumulada é de 4.700 metros, e grande parte do trajeto é em estradas de terra, o que pode representar desafio adicional para ciclistas menos experientes.
“O Circuito do Vale Europeu é reconhecido como um dos mais bem organizados. É organizado para percursos de distâncias relativamente longas, percorridas de bicicleta, mas de forma lenta, que permitem a capilaridade da renda, a troca de culturas e fortalecem a sensação de pertencimento com o local”, explicou Luiz Saldanha, que acompanha nacionalmente a expansão desse modelo de aventura. “Em Santa Catarina existem ao menos 32 rotas, mas, sem dúvida, a do Vale Europeu é muito diferenciada por sua organização.”
Com foco na valorização da natureza, cenários locais, história e cultura, o circuito foi estruturado para o turismo de aventura e se tornou o primeiro do país voltado a passeios ciclísticos autoguiados, com rede de apoio e reconhecimento público. A conclusão é comprovada por um passaporte carimbado ao longo do trajeto. A estrutura inclui guias, mapas e sinalização com setas amarelas em todo o percurso. Os participantes podem se hospedar em hotéis, hostels, pousadas rurais e até casas de famílias. O roteiro oferece referências de atrativos naturais como cachoeiras, arquitetura colonial, pontos de reparo para bicicletas, gastronomia e artesanato, além de locais para carimbar o passaporte.
A estruturação do turismo em parques, como o da Serra do Tabuleiro, também foi destacada, associada ao turismo de aventura. Em 2025, o Brasil recebeu 9,3 milhões de turistas estrangeiros, que geraram 7,9 bilhões de dólares em receitas turísticas.
Fonte: Assembleia SC








