SAÚDEEspecialistas debatem prevenção de quedas em idosos em simpósio na Alesc

A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) sediou nesta quinta-feira (25), por meio da Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa, o 2º Simpósio Catarinense de Prevenção de Quedas em Pessoas Idosas. Realizado no Auditório Antonieta de Barros, o evento contou com a participação de especialistas e instituições ligadas ao envelhecimento e à saúde da terceira idade, em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A programação incluiu mesas-redondas sobre o papel do exercício físico e da reabilitação na prevenção de quedas, abordando temas como treinamento multicomponente, adesão às atividades, adaptações no ambiente domiciliar e alimentação.

Além da capacitação técnica de profissionais da área, o encontro destacou a importância da integração entre políticas públicas, serviços de saúde, assistência social, universidades e entidades parceiras. De acordo com os organizadores, a iniciativa visa fortalecer a rede estadual voltada ao envelhecimento saudável e seguro, ampliando o debate sobre inovação, tecnologias assistivas e políticas públicas baseadas em evidências.

O deputado Sérgio Mota (Republicanos), presidente da comissão e proponente do evento, ressaltou a relevância do tema em um estado com uma das maiores proporções de idosos do país. Ele afirmou que a longevidade deve estar associada à qualidade de vida. “A prevenção de quedas é um tema essencial, pois os impactos para uma pessoa idosa podem ser muito mais graves. Por isso, ações de conscientização e orientação são importantes para garantir mais segurança, autonomia e bem-estar.”

A doutora Núbia Carelli de Avelar, da UFSC, apresentou um panorama sobre as quedas entre pessoas idosas. Segundo os dados, o Brasil tem mais de 32 milhões de idosos, e a tendência é que essa população supere a de crianças e adolescentes nos próximos anos. Atualmente, mais de 9 milhões de idosos sofrem ao menos uma queda por ano, um dos principais fatores de mortalidade entre pessoas com mais de 65 anos. Em Santa Catarina, cerca de 40% dos idosos com 80 anos ou mais registram quedas anualmente, contribuindo para o aumento das internações hospitalares. A pesquisadora destacou a perda funcional como um dos aspectos mais sensíveis do envelhecimento. “Leva cerca de um ano para uma criança adquirir movimento independente e aproximadamente dez anos para desenvolver plenamente sua mobilidade. Já para a pessoa idosa, essas capacidades podem ser perdidas em pouco tempo.”

A mestre em Ciências da Saúde e vice-presidente da Associação Brasileira de Fisioterapia em Gerontologia (Abrafige), Fabiane Vaz, traçou um histórico das políticas públicas voltadas à população idosa no Brasil. Ela mencionou a criação da Política Nacional do Idoso, em 1994, e a consolidação da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, em 2006, que ampliou o foco para a promoção do envelhecimento ativo. Também destacou a adoção do termo “pessoa idosa” em substituição a “idoso”, reforçando a perspectiva dos direitos, da dignidade e da saúde. Segundo a especialista, as quedas representam um grave problema de saúde pública, com impactos funcionais, emocionais e sociais, afetando a autonomia, a independência, as famílias, os serviços de saúde e a sociedade. Ela citou estimativas de 684 mil mortes por quedas por ano no mundo e destacou o Relatório Global sobre Prevenção de Quedas, publicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2018, como referência internacional.

Especialistas também abordaram a relação entre envelhecimento, alimentação e prevenção de quedas. Segundo uma das palestrantes, o envelhecimento provoca mudanças fisiológicas, hormonais e metabólicas que podem afetar a alimentação e a funcionalidade, incluindo redução do apetite, alterações no paladar e dificuldades de mastigação. Embora naturais, essas alterações não devem comprometer a autonomia e a qualidade de vida. A recomendação é investir em alimentação adequada e prática regular de atividades físicas, especialmente as voltadas ao fortalecimento muscular. A especialista também enfatizou a importância da ingestão adequada de proteínas, já que a capacidade de síntese proteica diminui com a idade. Em alguns casos, a necessidade pode chegar a 25 a 30 gramas de proteína por refeição para manutenção e ganho de massa muscular.

Fonte: Assembleia SC

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