O ex-meio-campista Denílson, que atuou pelo Arsenal entre 2006 e 2011, revelou seu palpite para a final da Liga dos Campeões entre o clube inglês e o Paris Saint-Germain, marcada para este sábado (30). Em entrevista exclusiva, o brasileiro também expressou alívio com a eliminação de um grande rival europeu durante o torneio.
“Os jogadores são muito qualificados, fortes. Defensivamente é muito regular. Há alguns anos com o Arteta vem batendo na trave e ele está fazendo um excelente trabalho. Não por estar na final da Champions, mas pelo o que vem sendo desenvolvido nos últimos anos. Ele estava merecendo (o título do Campeonato Inglês). Acredito que chegou o momento. Ganhamos a Premier League e acredito muito. Eu estava meio assim de pegar o Bayern, mas o Arsenal tem grandes chances de levar esse título contra o PSG”, afirmou Denílson.
Com a experiência de ter atingido a semifinal da Champions pelo Arsenal na temporada 2008/2009, Denílson destacou as virtudes de cada finalista e apontou os detalhes como chave para o resultado. “O ataque deles é muito rápido, mas a defesa do Arsenal é muito sólida. Quem errar menos, vence. Eu acredito que o Arsenal leva esse título da Champions League. Estou muito esperançoso”, completou.
Naquela semifinal de 2009, o Arsenal foi eliminado pelo Manchester United, que contava com um Cristiano Ronaldo decisivo. Denílson relembra a frustração: “Essa temporada foi a minha melhor temporada no Arsenal. Fiquei chateado por não ter iniciado entre os 11 contra o Manchester (United), mas o Wenger me chamou e explicou que o Song estava mais preparado fisicamente. A intenção era das melhores, o estádio estava lindo, estávamos confiantes em passar do Manchester, mas eles estavam muito, muito bem. O Cristiano (Ronaldo) fazia muita diferença e aquela semifinal foi muito difícil para a gente digerir. O tempo passa e hoje estamos na final depois de 20 anos.”
O Arsenal chega à final da Champions League duas décadas após a derrota por 2 a 1 para o Barcelona em 2005/2006. Já o PSG busca o bicampeonato consecutivo do torneio. Denílson também falou sobre sua chegada ao clube inglês, a relação com Arsène Wenger e a influência de Gilberto Silva.
“Foi uma enorme alegria ter chegado no Arsenal, mas estava muito ansioso. Ainda mais em ver pessoalmente grandes jogadores, como Henry, Gilberto Silva. Ter conhecido o meu treinador, que foi o Wenger, foi uma experiência incrível. Depois você vai normalizando, as coisas vão ficando comum, mas o início não é fácil não. Sair do Brasil para a Inglaterra com 18 anos foi uma emoção muito grande”, recordou.
“Eu encontrei um vestiário muito animado. Eles perderam na temporada anterior a Champions League. O Gilberto me traduzia tudo e dizia que eles estavam empolgados, pois diziam que tinham totais condições de ter vencido o Barcelona. Vi o vestiário muito alegre, descontraído e entrei na onda do pessoal”, contou sobre o ambiente na chegada.
“Eu fiquei apreensivo, mas os primeiros contatos foram muito bons. Pela preocupação que ele tinha comigo. Quando eu viajo pra Inglaterra, venho com meu empresário, mas ele viajava muito para Madri e eu ficava muito tempo sozinho. Então o Wenger me chamada pra bater um papo pra saber se eu estava gostando da cidade. Foi o melhor treinador porque realmente foi. Não só pelo dentro de campo, mas pelo extracampo. Eu sentia tranquilidade trabalhando com ele. O Wenger é um cara que ama a profissão dele. Ele demonstrava como era que tinha que se fazer. Não só dentro de campo, como tinha uma preocupação com cada atleta, chamava pra conversar no particular e isso é uma vantagem muito grande no futebol”, disse sobre o técnico francês.
Sobre Gilberto Silva: “O Gilberto teve uma importância muito grande na minha evolução. Era a pessoa que me ajudava, que me convidava pra eu ir na casa dele, me dava muitos conselhos. Sou muito grato por ter me ajudado bastante aqui.”
Por fim, Denílson fez um balanço de sua passagem pelo Arsenal: “Eu acho que faltou resultado, faltou maturidade. Nós tínhamos um futebol bonito de se jogar, vistoso. Em questão de futebol jogado, a gente perdia para o Barcelona. E quem brigava era o Manchester United. O Chelsea comprou muitos jogadores de nome, então Chelsea se fez forte, mas o Arsenal era um dos primeiros. Chegamos em duas Carling Cup, mas perdemos para o Chelsea para o Birmingham. Fiquei cinco temporadas, mas sem títulos. Mas o mais importante foi o que vivi, o tempo, mais de 150 jogos pelo clube. Para mim, foi gratificante.”
Fonte: Lance







