O ex-prefeito de Macapá Dr. Furlan (PSD), pré-candidato ao governo do Amapá, foi alvo de uma nova operação da Polícia Federal na manhã desta terça-feira. A investigação apura o desvio de R$ 25 milhões dos cofres municipais para financiar uma milícia digital voltada a atacar oponentes políticos e produzir conteúdo manipulado, incluindo deepfakes com uso de inteligência artificial.
Furlan já havia sido afastado do cargo em março deste ano por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), em outra ação da PF que investiga fraudes em licitações para a construção de um hospital na capital. No dia seguinte ao afastamento, ele renunciou ao mandato para evitar a cassação.
De acordo com o portal g1, há indícios de que pessoas ligadas à milícia digital foram nomeadas em cargos em diversas secretarias municipais como forma de pagamento pelos serviços de divulgação irregular. A PF também aponta o uso de inteligência artificial para a criação de imagens, vídeos e áudios manipulados.
Segundo a polícia, a quantia milionária destinada à comunicação pública da prefeitura de Macapá teria sido desviada de sua finalidade original. Contratos de publicidade institucional foram usados para custear influenciadores digitais, veículos e empresas de comunicação para divulgar ações de caráter político-eleitoral.
A investigação apura crimes eleitorais relacionados à criação e operação de uma rede digital de desinformação, autopromoção política e ataques a adversários. Conhecido como ‘prefeitão’, Furlan é ativo nas redes sociais e possui cerca de 280 mil seguidores.
Batizada de ‘Operação Palanque Digital’, a ação cumpre 35 mandados de busca e apreensão em Macapá (AP), Belém (PA) e Canela (RS).
Furlan renunciou ao cargo em 5 de março, um dia após ser alvo de operação que investiga seu envolvimento em suposto esquema de fraude em licitações da Secretaria Municipal de Saúde. Endereços ligados a ele e ao vice-prefeito, Mario Neto (MDB), também foram alvos de buscas.
A renúncia teve como objetivo evitar a cassação do mandato, o que inviabilizaria sua candidatura ao governo do Amapá. Logo após a operação que motivou seu afastamento, Furlan publicou um vídeo anunciando sua pré-candidatura ao governo, sem citar a ação policial, mas alegando ser alvo de ‘ataques e perseguições’.
A PF apontou indícios de um ‘esquema criminoso’ envolvendo agentes públicos, como Furlan e Mario Neto, e empresários, com o objetivo de direcionar licitações, desviar recursos públicos e lavar dinheiro no projeto de engenharia e execução das obras do Hospital Geral Municipal de Macapá.
Na primeira fase da operação, em setembro do ano passado, a polícia já havia informado que o esquema envolvia pagamento de propinas. O contrato para as obras do hospital, formalizado em maio de 2024, foi firmado por R$ 69,3 milhões.
Ao solicitar o afastamento do prefeito, a PF informou ao STF que, durante uma ação controlada, monitorou um veículo do chefe do Executivo local que transportava uma mochila com R$ 400 mil em espécie. As medidas foram acatadas pela Corte.
Fonte: O GLOBO







