MERCEDESKimi Antonelli e George Russell protagonizam clima tenso no GP do Canadá

A quinta etapa da temporada de Fórmula 1 já foi suficiente para gerar atrito entre os pilotos da Mercedes. Kimi Antonelli e George Russell protagonizaram o confronto mais intenso do ano até agora durante o GP do Canadá, realizado neste fim de semana. A equipe, que domina a competição, viu seus dois representantes se envolverem em um lance polêmico na corrida sprint de sábado. Russell não deixou espaço para o italiano, venceu a prova, e Antonelli, irritado, criticou o engenheiro pelo rádio, exigindo a intervenção do chefe Toto Wolff para manter o foco. Ainda alterado, o jovem de 19 anos cometeu erros em tentativas de ultrapassagem sobre Russell e Lando Norris, terminando em terceiro lugar.

No domingo, porém, Antonelli mostrou maturidade e transformou a frustração em uma atuação agressiva e precisa. Ele pressionou Russell incansavelmente, alternando a liderança em diversas voltas até que o inglês abandonou a prova na 30ª volta devido a problemas mecânicos. Antonelli conquistou sua quarta vitória consecutiva e ampliou sua vantagem no campeonato para 131 pontos contra 88 de Russell. A relação interna na Mercedes já começa a se deteriorar, algo que não ocorria no ano passado, quando ambos estavam longe da briga pelo título. Russell, que havia superado o heptacampeão Lewis Hamilton anteriormente, não teve dificuldades para se impor sobre Antonelli, considerado uma promessa promovida precocemente após a surpreendente ida de Hamilton para a Ferrari. A rápida evolução de Antonelli, que desde uma visita ao túmulo de Ayrton Senna em São Paulo no ano passado mostra amadurecimento, quebrou a tranquilidade na equipe prateada, e a tendência é de que a situação piore.

Na Fórmula 1, é raro manter uma boa convivência quando há um título em jogo. O exemplo mais emblemático é o de Lewis Hamilton e Nico Rosberg, que também correram pela Mercedes. Eles eram amigos desde a infância e cresceram juntos no kart. Em 2014, antes do início da temporada em Melbourne, ambos afirmaram em entrevista que a amizade não seria abalada por uma disputa pelo campeonato. No entanto, a história mostrou o contrário: a partir dali, se desentenderam, colidiram na pista e trocaram farpas, e a amizade nunca mais foi a mesma. Após a aposentadoria de Rosberg, Hamilton teve Valtteri Bottas como companheiro, um piloto que não representava ameaça e com quem mantinha boa relação.

Outro exemplo é Ayrton Senna, cujo melhor amigo na F1 era Gerhard Berger, seu companheiro na McLaren entre 1990 e 1992. Berger era brincalhão e carismático, mas nunca ameaçou a supremacia de Senna na equipe. Já com Alain Prost, a relação só se tornou mais próxima após a aposentadoria do francês em 1993. Se houvesse amizade em 1988, não teria durado duas corridas.

🏁 BANDEIRADAS FINAIS 🏁

🟩 Bandeira verde: Destaques para Lewis Hamilton e Franco Colapinto. O inglês, aproveitando o abandono de Russell, terminou em segundo lugar, seu melhor resultado pela Ferrari, com uma ultrapassagem espetacular sobre Max Verstappen. O argentino Colapinto alcançou a sexta posição, sua melhor colocação na F1, atrás apenas de Antonelli, das duas Ferraris e das duas Red Bulls.

🟥 Bandeira vermelha: McLaren e Audi erraram na previsão do tempo para a corrida, optando por pneus intermediários na largada, o que comprometeu seus resultados. A McLaren, em especial, havia mostrado bom ritmo na sprint com Norris, em segundo. Piastri admitiu arrependimento na volta de formação, mas não teve convicção para trocar antes da largada. Ambos precisaram ir aos boxes nas primeiras voltas, retornaram no meio do pelotão e se complicaram. Piastri colidiu com Alex Albon, foi punido e ficou fora dos pontos, enquanto Norris abandonou com problemas. Gabriel Bortoleto e Nico Hulkenberg também pararam cedo e terminaram fora da zona de pontuação.

🟨 Bandeira amarela: Tradicionalmente, o GP de Mônaco da F1 coincidia com as 500 Milhas de Indianápolis. A corrida de Monte Carlo era no último domingo de maio, e a Indy 500 ocorria no domingo anterior ao Memorial Day nos EUA. Os fãs acompanhavam a F1 pela manhã e a prova americana à tarde. Neste ano, porém, o calendário foi alterado.

Fonte: O GLOBO

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