Santa Catarina mantém uma lista oficial com 69 espécies da fauna classificadas como exóticas invasoras de categoria 1, conforme resolução do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema). Esses animais, que incluem a rã-touro, alvo recente de operação em Florianópolis, representam ameaça à biodiversidade e à saúde humana.
O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) monitora continuamente essas espécies, consideradas entre as cinco principais causas diretas de perda de biodiversidade global. A resolução nº 272 do Consema estabelece normas para uso e manejo desses organismos, visando mitigar danos ecológicos, econômicos e sociais.
Segundo a definição técnica, uma espécie exótica é aquela introduzida fora de sua área natural, de forma intencional ou acidental. Quando ameaça ecossistemas ou outras espécies, é classificada como invasora. A resolução divide as invasoras em duas categorias.
Na categoria 1, estão as espécies com restrição total: é proibido possuir, transportar, comercializar, soltar ou propagar esses animais. Já na categoria 2, o manejo é permitido sob condições controladas, mas a soltura continua vetada.
Entre as espécies mais conhecidas da lista está o caracol-gigante-africano, frequente em áreas de mata e transmissor do verme Angiostrongylus costaricensis, causador da angiostrongilíase abdominal em humanos. O javali também figura entre as ameaças, sendo alvo de projeto na Assembleia Legislativa que prevê recompensa de R$ 100 por animal abatido por pessoas autorizadas.
Outro exemplo é o peixe barrigudinho (Poecilia reticulata), originário da América Central e com alta taxa de reprodução. Apesar de invasor, ele ajuda no combate à dengue por se alimentar de larvas de mosquitos.
A lista inclui ainda mamíferos como veado, saguis, lebre-europeia, camundongo, ratos e ratazanas, além de aves como bico-de-lacre e pardal. Entre os répteis, destaca-se a lagartixa e o tigre-d’água-americano.
Anfíbios como a rã-touro e peixes como dorminhoco, bagre-africano, tetra-serpae, tetra-sangue, black bass, mandijuva, pintado, cascudo, palometa, piranha-preta e porrudo também estão na relação. Invertebrados como o caracol-gigante-africano, mosquito-da-dengue, mosca-do-figo, craca, melanóide e copépodes completam a lista.
Espécies marinhas também são monitoradas, como coral-sol, caramujo, berbigão-asiático-roxo, mexilhão-dourado e caramujo-africano-asiático. Organismos como Hypsoblennius invemar, Silurus glanis e diversos ascídias e briozoários constam na relação.
A resolução do Consema visa normatizar o uso dessas espécies para conter danos à biodiversidade, incluindo prejuízos econômicos em sistemas produtivos, infraestrutura e saúde pública. A lista é atualizada a cada cinco anos.
A operação recente em Florianópolis para captura e mapeamento da rã-touro ilustra a preocupação com espécies invasoras. A rã, que emite som semelhante ao mugido de boi, é considerada perigosa para o equilíbrio ecológico local.
Especialistas alertam que a prevenção é a melhor estratégia, mas o controle populacional de espécies já estabelecidas exige ações coordenadas entre órgãos ambientais, pesquisadores e sociedade. A lista do Consema serve como referência para essas medidas.
Fonte: NSC Total






