INDÚSTRIAPetróleo sobe com bombardeio dos EUA no Irã e impasse em acordo

Os preços do petróleo registraram alta nesta terça-feira (26), impulsionados por novos bombardeios dos Estados Unidos no sul do Irã e pelo impasse nas negociações de paz entre os dois países. O barril do tipo Brent, referência internacional, subia 3,12%, cotado a US$ 99,14, enquanto o WTI, referência americana, recuava 3,85%, para US$ 92,88.

Na segunda-feira (25), o petróleo havia fechado em queda: o WTI caiu 6,7%, a US$ 90,13, e o Brent recuou 6,78%, a US$ 93,42. A reversão ocorre em meio à escalada militar e à falta de avanço nas conversas diplomáticas.

As Forças Armadas dos EUA realizaram novos ataques no sul do Irã nesta terça, durante o cessar-fogo vigente desde abril. O Comando Central dos EUA (CentCom) afirmou que as ações foram em “autodefesa” e alvejaram estruturas militares iranianas ligadas a mísseis e minas subaquáticas. Segundo o Pentágono, os ataques foram “limitados” e visavam proteger tropas americanas.

Autoridades iranianas relataram explosões em Bandar Abbas, cidade portuária no litoral sul que abriga instalações da força aérea e da marinha, próxima ao Estreito de Ormuz — rota estratégica para o comércio global de petróleo. A emissora Fox News informou que duas embarcações da Guarda Revolucionária foram destruídas, além de uma posição antiaérea que supostamente mirava aeronaves dos EUA. A agência semioficial iraniana Fars, no entanto, afirmou que a situação em Bandar Abbas estava “normal” na madrugada de terça.

Os bombardeios ocorrem em um momento crítico das negociações diplomáticas entre EUA e Irã, que mantêm um cessar-fogo desde 8 de abril. Nos últimos dias, autoridades americanas sinalizaram otimismo, mas o presidente Donald Trump, após declarar acreditar em um acordo próximo, endureceu o discurso e ameaçou “explodir os iranianos em mil infernos” se não houver consenso. O governo iraniano respondeu na segunda, afirmando que ainda não há um entendimento próximo.

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que os países do Golfo não serão mais usados como “escudo” para bases americanas. Em declaração por escrito divulgada pelo Telegram e pela TV estatal, ele disse: “O tempo não retrocederá e as nações e terras da região não servirão mais de escudo para as bases americanas”. Khamenei não aparece em público desde o início da guerra.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o acordo com o Irã pode “levar alguns dias” para ser fechado devido a divergências sobre palavras e frases. Durante viagem à Índia, ele declarou a repórteres: “Vai levar alguns dias para resolvermos isso… até as divergências sobre uma palavra, uma frase”. Rubio disse acreditar que o acordo é possível e que o Estreito de Ormuz, canal por onde passa 20% a 30% do petróleo mundial, precisa permanecer aberto.

Fonte: Metrópoles

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