VIOLÊNCIARelatório aponta SC líder em ameaças contra mulheres e violência em fins de semana

A Defensoria Pública de Santa Catarina divulgou nesta segunda-feira (26), em Florianópolis, o relatório “A Violência Contra a Mulher em Santa Catarina”, que consolida registros de violência doméstica e familiar ocorridos no estado entre 2020 e 2025. O evento foi realizado no auditório da instituição e contou com a presença de representantes do Observatório da Violência Contra a Mulher de Santa Catarina (OVM-SC), grupo que reúne diversos órgãos para monitorar e analisar dados sobre violência de gênero. A Assembleia Legislativa de Santa Catarina integra o Observatório por meio de suas iniciativas institucionais de combate à violência contra a mulher e fortalecimento de políticas públicas na área.

Produzido pela Defensoria Pública, por intermédio do Núcleo de Defesa dos Direitos das Mulheres (Nudem) e do Centro de Estudos, Capacitação e Aperfeiçoamento (Cecadep), em colaboração com o OVM-SC, o relatório foi elaborado com base em dados oficiais da Secretaria de Estado da Segurança Pública, fundamentados na Lei Maria da Penha. O material traça um panorama da violência contra meninas e mulheres em Santa Catarina, com informações segmentadas por município, faixa etária, relação com o agressor, períodos e tipos de crime, como ameaça, lesão corporal, estupro e feminicídio.

Entre os resultados, o estudo revela que Santa Catarina ocupa o primeiro lugar no ranking nacional de registros de ameaça contra mulheres em contexto doméstico e familiar. A pesquisa também indica que os finais de semana concentram a maior parte das ocorrências de violência. Já nos casos de feminicídio, a segunda-feira se destaca como um dos dias com maior incidência, frequentemente refletindo a continuidade de conflitos iniciados durante o fim de semana.

Durante o lançamento, a defensora pública e coordenadora do Nudem, Anne Teive Auras, enfatizou a relevância da articulação entre as instituições que formam a rede de enfrentamento à violência contra a mulher em Santa Catarina. “A proposta do Observatório da Violência Contra a Mulher é, de fato, integrar todas as instituições que compõem a Rede de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher em Santa Catarina para que a gente tenha um diagnóstico e dados a respeito do fenômeno da violência de gênero no nosso estado”, afirmou. Anne também destacou que os novos painéis de dados do OVM-SC ampliarão o acesso da população às informações oficiais. “São dados que vão tornar ainda mais acessível e qualificar ainda mais o acesso da sociedade catarinense a essas informações, tão importantes para a construção e monitoramento das políticas públicas”, completou.

A procuradora-geral do Ministério Público de Contas, Cibelly Farias, salientou que a atualização dos painéis do Observatório amplia a capacidade de análise das informações sobre violência de gênero em Santa Catarina, tornando os dados mais acessíveis e detalhados para consulta pública. Segundo ela, a nova plataforma permite diferentes cruzamentos de informações, possibilitando uma leitura mais ampla da realidade enfrentada pelas mulheres catarinenses em diferentes regiões do estado. “Hoje temos uma ferramenta mais completa, construída a partir de dados oficiais, que permite visualizar cenários, comparar informações entre municípios e compreender melhor o contexto da violência contra a mulher em Santa Catarina”, destacou.

O evento também marcou o lançamento da nova versão dos painéis do OVM-SC. A ferramenta passa a oferecer consultas mais interativas e detalhadas, fortalecendo o acesso à informação e contribuindo para o desenvolvimento e acompanhamento de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres. “Qualquer cidadão hoje pode entrar nos painéis e conseguir visualizar o que acontece no seu município, o que acontece no estado de Santa Catarina em termos de violência contra a mulher”, completou Cibelly.

Com a colaboração de Fabricio Escandiuzzi.

Fonte: Assembleia SC

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