O programa Smart Sampa, em funcionamento desde julho de 2024, já contribuiu para mais de 8,2 mil detenções na cidade de São Paulo. Desse total, 3.118 eram foragidos da Justiça e aproximadamente 5,1 mil foram presos em flagrante. O sistema utiliza reconhecimento facial, leitura automatizada de placas veiculares e integração instantânea de bancos de dados públicos, além de ter ajudado a localizar mais de 200 pessoas desaparecidas. Com esses números, a iniciativa se firma como um dos maiores sistemas de videomonitoramento da América Latina, contando com 50 mil câmeras — 20 mil administradas pela prefeitura e 30 mil cedidas por parceiros privados.
Para a secretária municipal de Segurança Urbana, Juliana Lopes Bussacos, o Smart Sampa transformou a atuação da segurança na capital paulista ao incorporar inteligência, integração e rapidez nas decisões. Ela destaca que a cidade agora consegue acompanhar ocorrências em tempo real e direcionar o efetivo com maior precisão, posicionando viaturas e equipes nos locais adequados no momento certo.
O modelo do Smart Sampa foi inspirado em experiências de videomonitoramento de cidades como Nova York, Londres e Buenos Aires, que já utilizam tecnologias similares para melhorar a segurança pública. O diferencial técnico do programa está na camada de integração que conecta imagens, dados e ações operacionais, combinando reconhecimento facial, leitura de placas e cruzamento em tempo real com as bases da Guarda Civil Metropolitana (GCM), da Polícia Militar e da Polícia Civil. Sempre que uma câmera detecta uma pessoa com mandado de prisão ativo ou um veículo com restrição, um alerta automático é gerado e passa por validação humana antes do acionamento das equipes. Esse processo alia a velocidade dos algoritmos à supervisão de operadores, reduzindo a necessidade de uso de força letal nas abordagens.
O sistema tem sido empregado em diversos tipos de ocorrência, como tráfico de drogas, roubos, furtos, agressões, vandalismo e violência doméstica. Entre os foragidos capturados estão membros de organizações criminosas e condenados por crimes graves. Juliana ressalta que, antes, muitas dessas ações dependiam exclusivamente de abordagens presenciais, denúncias ou análises posteriores de imagens; agora, o sistema consegue antecipar respostas, otimizar o efetivo e ampliar a capacidade operacional, permitindo uma atuação mais rápida, inteligente e preventiva.
O Smart Sampa faz parte de uma política mais ampla de reforço da segurança urbana da prefeitura, que vem aumentando investimentos, efetivo e infraestrutura. Desde 2021, o orçamento da área mais que dobrou, passando de R$ 700 milhões para R$ 1,8 bilhão. A Guarda Civil Metropolitana cresceu e hoje conta com 7,5 mil agentes ativos, com concurso em andamento para a contratação de mais 500 profissionais. A frota de viaturas da GCM saltou de 251 para 610 veículos (aumento de 143%), enquanto as motocicletas passaram de 71 para 270 (crescimento de 280%). Esse reforço torna a corporação mais capilarizada e ágil para responder aos alertas.
A conexão entre tecnologia e presença operacional nas ruas é, segundo a gestão municipal, a base do modelo, que coloca São Paulo como referência nacional. O programa também conta com articulação entre diferentes esferas: além da GCM, a central de monitoramento opera de forma integrada com a Polícia Militar, a Polícia Civil, a SPTrans e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Esse arranjo acelera a resposta e permite que um único alerta acione simultaneamente múltiplos órgãos competentes para cada tipo de ocorrência.
Uma pesquisa do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), divulgada em abril de 2026, mostra que o programa é aprovado por 89% dos moradores da capital. O índice se alinha a outros resultados positivos: a Operação Paulista Mais Segura, que combina o reforço da GCM com o Smart Sampa na Avenida Paulista, reduziu roubos e furtos em 41,54% entre março a dezembro de 2024 e o mesmo período de 2025, com os casos caindo de 2.528 para 1.478. Em janeiro de 2026, a queda chegou a 46,71% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Para Juliana, a trajetória aponta para uma nova fase mais integrada, analítica e menos dependente apenas da presença física. Ela afirma que o uso integrado de dados e o monitoramento em tempo real ampliam a capacidade de resposta das forças de segurança e devem ganhar escala nos próximos anos. A expansão do Smart Sampa acompanha uma tendência global de adoção de tecnologias de monitoramento e análise de dados em grandes cidades, visando eficiência operacional, redução do tempo de resposta e integração entre órgãos de segurança.
Dados Smart Sampa | Arte/Glab
Fonte: O GLOBO







