Na sessão plenária desta quarta-feira (17), a tribuna da Assembleia Legislativa de Santa Catarina foi palco de manifestações sobre diversos temas. O deputado Sargento Lima (PL) iniciou os discursos criticando os cortes orçamentários promovidos pelo governo federal sob a justificativa de contingenciamento das contas públicas. Ele vinculou a redução de recursos destinados às Forças Armadas ao crescimento do tráfico de drogas no território nacional. O parlamentar afirmou que não há motivo para comemoração quando grandes apreensões de cocaína são feitas em navios, que integram rotas do tráfico internacional. Segundo ele, metade da cocaína consumida no mundo passa pelo Brasil. Lima destacou a falta de controle na região amazônica e associou esse cenário ao corte de R$ 3 bilhões no orçamento das Forças Armadas, o que, na sua avaliação, já provocou mais de 5 mil baixas nos quadros militares, uma vez que os recursos deixam de ser aplicados na melhoria da remuneração.
O deputado Oscar Gutz (PL) ocupou a tribuna para felicitar a empresa Bonin Pneus, de Ibirama, que celebra 35 anos de atuação. Ele mencionou o casal Rodrigo e Márcia Bonin, elogiando sua visão de futuro e coragem para continuar investindo na região. A recauchutadora, instalada em 1991 no Alto Vale, é referência no setor.
Já o deputado Padre Pedro Baldissera (PT) defendeu que o parlamento catarinense legisle com ousadia, com foco na transparência dos algoritmos públicos e na capacitação dos trabalhadores. Ele comentou a encíclica ‘Magnifica Humanitas’ do Papa Leão XIV, que, segundo ele, não é um manifesto meramente ideológico, mas trata da proteção da pessoa humana na era dos algoritmos. O parlamentar relacionou o tema ao polo tecnológico catarinense e ao avanço da inteligência artificial, que pode prejudicar a geração de empregos. Padre Pedro pregou a criação de um marco regulatório que evite o descarte de trabalhadores e garanta a dignidade nas relações humanas. ‘A automação deve representar inclusão, não demissões em massa. Essa posição encontra apoio na comunidade científica e entre líderes globais’, afirmou. Ele ainda defendeu soluções sustentáveis para as cidades, sem vigilância ou concentração de renda em benefício de monopólios digitais.
O deputado Március Machado (PL) trouxe uma reivindicação de moradores de São José do Cerrito e Cerro Negro, que dependem da balsa e rebocador São Roque para atravessar o Rio Caveiras na zona rural. O equipamento está em péssimas condições, o que motivou um abaixo-assinado enviado ao governo estadual. O parlamentar apresentou indicação ao Executivo sugerindo a substituição da balsa. Pelo menos 200 famílias utilizam a travessia diariamente, incluindo estudantes, produtores rurais e visitantes de propriedades de turismo rural.
No espaço de explicações pessoais, o deputado Jessé Lopes (PL) criticou a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) por uma possível ampliação das cotas nos vestibulares. Para Jessé, ‘o que a esquerda coloca a mão vira uma esculhambação’, e afirmou que a Udesc ‘promove lacração’. Ele questionou a criação de cotas para negros, quilombolas, indígenas, trans, estrangeiros e presidiários, dizendo que essas políticas de inclusão dificultariam o acesso de quem tem mais capacidade.
Fonte: Assembleia SC








