Uma nova operação da Polícia Federal contra o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), ampliou dentro do partido a percepção de que sua candidatura ao Senado em 2026 se tornou inviável. A ação desta terça-feira, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), investiga suspeitas de irregularidades em aplicações de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master. Além de Castro, integrantes e ex-integrantes do fundo previdenciário estadual foram alvo de buscas.
Segundo interlocutores do PL ouvidos pelo GLOBO, dirigentes da legenda passaram a tratar como “muito difícil” a manutenção do ex-governador na chapa da direita no Rio, após a sequência de investigações que atingem seu entorno político e administrativo. A nova ofensiva da PF agravou um quadro que já gerava desconforto desde a condenação de Castro à inelegibilidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a operação do início do mês que apurou suspeitas de fraude e ocultação patrimonial no setor de combustíveis envolvendo o grupo Refit.
Embora o discurso público do PL seja de cautela e defesa do devido processo legal, integrantes da cúpula afirmam reservadamente que a sucessão de investigações contaminou diretamente a discussão eleitoral de 2026 no Rio. Aliados do senador Flávio Bolsonaro avaliam que manter Castro na chapa pode gerar insegurança jurídica e aumentar o risco de desgaste político para a campanha presidencial. O tema será discutido com mais profundidade após o retorno de Flávio dos Estados Unidos, na quinta-feira. Ele é o principal responsável pela montagem da chapa da direita no Rio e terá a palavra final sobre uma eventual substituição.
Entre os nomes cotados internamente, o favorito na cúpula do PL fluminense é o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), que há meses se movimenta reservadamente para disputar o Senado e ganhou força após a nova operação contra Castro. Jordy afirmou que defende o avanço das investigações, mas evitou antecipar julgamentos: “Sempre defendi que as investigações devam transcorrer da melhor forma para que nós possamos chegar à verdade dos fatos e separar o joio do trigo, ver realmente quem se envolveu com essa fraude ou não.” Ele também sinalizou disposição para entrar na disputa caso seja escolhido pelo partido: “Estou à disposição do partido para qualquer missão, para ajudar a eleger o nosso candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, e também para a missão do Senado, que sempre foi a minha pauta: reestabelecer o equilíbrio entre os Poderes.”
Outros nomes seguem sendo mencionados nas conversas internas. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), continua citado por sua força junto ao eleitorado evangélico, embora interlocutores afirmem que ele demonstra pouca disposição para deixar a Câmara neste momento. Também aparece o senador Carlos Portinho (PL-RJ), apesar de aliados lembrarem que ele já anunciou prioridade para disputar uma vaga na Câmara e atua na coordenação da pré-campanha presidencial de Flávio. Outro nome monitorado pelo grupo de Flávio é o do ex-chefe da Polícia Civil Felipe Curi. Integrantes do PL avaliam, porém, que uma eventual candidatura dependeria de uma definição do prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), sobre a disputa ao governo estadual. Como Curi é filiado ao PP, há resistência a concentrar as duas vagas majoritárias em partidos da mesma federação. Nesse caso, Curi concorreria apenas se Canella desistisse.
Apesar do avanço das conversas reservadas, dirigentes do PL ainda evitam admitir publicamente o abandono da candidatura de Castro. A avaliação interna, porém, é que a nova operação da PF tornou muito mais difícil sustentar eleitoralmente o projeto do ex-governador ao Senado e que uma decisão definitiva deve ser tomada em junho.
Fonte: O GLOBO







