Nesta terça-feira, foi divulgado o Atlas da Violência de 2026, que apresenta dados de homicídios registrados em todos os municípios brasileiros durante o ano de 2024. O estudo, elaborado por especialistas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), contabilizou 42.590 assassinatos em todo o território nacional, o que equivale a uma taxa de 20,1 ocorrências para cada grupo de 100 mil habitantes. Esse índice representa o patamar mais baixo desde 2014.
Os números podem ser consultados por cidade na ferramenta disponível nesta reportagem. As informações são oriundas de registros do Ministério da Saúde. Apesar da redução, que acompanha uma tendência observada nos últimos anos, o relatório destaca a subnotificação e a quantidade elevada de mortes em localidades das regiões Norte e Nordeste como entraves a serem superados.
As maiores taxas de homicídio estão concentradas nos estados do Amapá, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Ceará. Entre os 20 municípios com mais de 100 mil habitantes que apresentam os maiores índices de violência, 17 estão situados no Nordeste. Já as 20 cidades mais seguras, com população similar, encontram-se exclusivamente nas regiões Sul e Sudeste.
Um dos elementos que explicam essa diferença é o fator demográfico. As áreas mais violentas possuem uma parcela maior de jovens, grupo etário que costuma estar mais envolvido em homicídios, tanto como vítimas quanto como agressores. No entanto, esse não é o único componente. As movimentações recentes do crime organizado, que tem se expandido para o interior do país, também exercem influência significativa.
— O que explica isso é o processo de interiorização das facções, com o surgimento de grupos locais que não tem uma organização como a do Primeiro Comando da Capital (PCC), que não olham o lucro, mas o controle do território — explica Daniel Cerqueira, um dos coordenadores do levantamento — São jovens que querem se firmar e se firmam pela violência.
Fonte: O GLOBO







