VIOLÊNCIAAtlas da Violência revela as 20 cidades mais e menos violentas do Brasil

O Atlas da Violência de 2026, divulgado nesta terça-feira, lista os 20 municípios com mais de 100 mil habitantes com as maiores e menores taxas de homicídio no Brasil. O levantamento, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), indica que as maiores taxas estão concentradas no Amapá, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Ceará.

O relatório destaca dois problemas principais: a subnotificação de assassinatos e o alto número de mortes em cidades do Norte e Nordeste. Das 20 localidades mais violentas com mais de 100 mil habitantes, 17 estão no Nordeste. Já as 20 menos violentas ficam exclusivamente nas regiões Sul e Sudeste.

Um dos fatores que explicam essa diferença é o perfil demográfico. As regiões com mais violência têm uma proporção maior de jovens, faixa etária mais envolvida em homicídios, tanto como vítimas quanto como autores. No entanto, outros elementos contribuem, como a expansão do crime organizado para o interior do país, com impacto significativo.

— O que explica isso é o processo de interiorização das facções, com o surgimento de grupos locais que não seguem a lógica do Primeiro Comando da Capital (PCC), focados não no lucro, mas no controle territorial — afirma Daniel Cerqueira, um dos coordenadores da pesquisa. — São jovens que buscam se afirmar e o fazem pela violência.

Outra preocupação apontada pelo Atlas são os homicídios ocultos, mortes violentas cuja causa o Estado não consegue determinar — se acidente, suicídio ou assassinato. Esses casos são registrados como Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCIs). Uma metodologia desenvolvida pelo Ipea permite estimar quantas delas são homicídios.

Os dados mostram que, entre 2023 e 2024, os homicídios ocultos cresceram 88,6%, passando de 3.755 para 7.083 casos. A taxa subiu de 1,8 para 3,3 por 100 mil habitantes. De 2014 a 2024, foram 55.212 homicídios ocultos. O Atlas avalia que a piora na qualidade da informação pode estar criando um “ponto cego estatístico”.

— O modelo estatístico de aprendizado de máquina calcula a probabilidade de uma MVCIs ser homicídio com base nas características da pessoa e das circunstâncias — explica Cerqueira. — Por que existem as MVCIs? A primeira razão é a falta de compartilhamento de informação entre a polícia e o sistema de saúde, geralmente por problemas de gestão ou normativos. Outra possibilidade é que a polícia não consegue identificar a causa da morte.

As 20 cidades mais violentas são: Maranguape (CE), Jequié (BA), Maracanaú (CE), Itapipoca (CE), Caucaia (CE), Juazeiro (BA), Feira de Santana (BA), Porto Seguro (BA), Simões Filho (BA), Camaçari (BA), Sorriso (MT), Teixeira de Freitas (BA), Sobral (CE), Cabo de Santo Agostinho (PE), Lauro de Freitas (BA), São Lourenço da Mata (PE), Santana (AP), Ilhéus (BA), Marituba (PA) e Salvador (BA).

Já as 20 menos violentas são: Cotia (SP), Mogi das Cruzes (SP), Arapongas (PR), Marília (SP), Araraquara (SP), São José dos Campos (SP), Blumenau (SC), Salto (SP), Indaiatuba (SP), Tubarão (SC), Votuporanga (SP), Atibaia (SP), Ituiutaba (MG), Birigui (SP), Itatiba (SP), Bragança Paulista (SP), Lavras (MG), Santa Bárbara D’Oeste (SP), Brusque (SC) e Jaraguá do Sul (SC).

Fonte: O GLOBO

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