CULTURAExposição de Tercília dos Santos apresenta arte naïf com prêmios internacionais no hall da Alesc

A exposição “A Cor do Saber e a Herança da Memória”, da artista catarinense Tercília dos Santos, está aberta ao público no hall da Assembleia Legislativa até o dia 2 de julho. A mostra propõe uma imersão visual no trabalho da artista, que se tornou referência na arte naïf brasileira. A abertura ocorreu na segunda-feira (22) com a presença da autora. O horário de visitação é das 7h às 19h.

Tercília foi selecionada por edital para exibir suas obras na Galeria de Arte Ernesto Meyer Filho em 2026. Ela já expôs na Alesc no início da carreira e vê a oportunidade de apresentar seu trabalho na casa legislativa como uma forma de ser mais conhecida pelos catarinenses. “Sou mais conhecida fora do que aqui. Ano passado, ganhei quatro prêmios em outros estados”, afirmou.

A mostra reúne obras de diferentes períodos de sua carreira, com composições marcadas por cores intensas, figuras humanas estilizadas, elementos da vida rural e referências à memória afetiva e cultural brasileira. Os temas incluem infância, coletividade, espiritualidade, educação, herança afro-brasileira e cotidiano popular, criando narrativas visuais que unem simplicidade estética e potencial simbólico.

Nascida em 1953, no distrito de Uruguai, interior de Piratuba, Tercília construiu sua linguagem visual a partir das lembranças da infância vivida no meio rural, em uma comunidade marcada pelo trabalho coletivo, manifestações culturais populares e ancestralidade afro-brasileira. Começou a pintar em 1990, após um sonho: “Sonhei com Jesus menino e no dia seguinte decidi que seria pintora. Comprei tintas a óleo, mas borrava as telas porque pintava rápido”. Recebeu apoio de artistas renomados da época, como Fernando Lindote e Janga, que a incentivaram.

A exposição atual convida o público a um encontro com a sensibilidade, a memória e a força da arte popular brasileira contemporânea. Autodidata, Tercília diz que o sonho despertou sua necessidade de pintar e transformou sua relação com memória, espiritualidade e criação artística. Suas obras apresentam cenas do cotidiano, festas populares, religiosidade, trabalho no campo, infância, natureza e convivência comunitária, traduzidas em composições de forte intensidade cromática e organização simbólica.

Ao longo de mais de três décadas, consolidou uma produção singular, com uso expressivo da cor, figuras humanas estilizadas, pássaros, flores, caminhos e elementos da cultura popular. Sua pintura articula memória, identidade, pertencimento e espiritualidade, dialogando com a arte popular, a experiência coletiva e a valorização das culturas afro-brasileiras e indígenas.

Tercília participou de importantes exposições e bienais no Brasil e no exterior, como a Bienal Naïfs do Brasil (Sesc Piracicaba/SP) e o Festival Internacional de Arte Naïf (Fian), além de mostras na Itália, França e Suíça. Recebeu prêmios como o Aquisição na 2ª Bienal Naïfs do Brasil (1994) e o Divulgação na 4ª Bienal (1998), além de homenagens pelo conjunto da obra. Entre suas exposições de destaque estão “Os Jardins da Infância” (Masc), “Herança Negra na Cultura Brasileira” (CIC/Florianópolis), “Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira” (CCBB São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte) e “Mamáfrica” (Caixa Cultural). Sua obra integra acervos públicos e coleções privadas no Brasil e no exterior. Tercília mantém ateliê em São José, bairro Forquilhinhas, onde segue produzindo e pesquisando memória, cultura popular e narrativas afro-brasileiras.

Fonte: Assembleia SC

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