Na estreia do Australian Open de 2025, em janeiro, João Fonseca, então com 18 anos, celebrou a maior vitória de sua carreira ao derrotar o russo Andrey Rublev, nono do ranking, por 3 sets a 0. Agora, o número 1 do Brasil tem a oitava oportunidade de superar um tenista do top 10. Nesta sexta-feira, na terceira rodada de Roland Garros, o carioca pode não só garantir uma vaga inédita nas oitavas de final, mas também elevar seu nível ao eliminar o favorito e tricampeão Novak Djokovic, de 39 anos e quarto do mundo.
Além da atuação impecável contra Rublev, após sair do qualifying em quadra rápida, o pupilo do técnico Guilherme Teixeira já demonstrou potencial em outros confrontos contra top 10. Em duas das quatro derrotas para rivais desse nível em 2026, ambas no saibro em abril, o brasileiro forçou o set decisivo, indicando que está no caminho certo para o tão almejado salto de qualidade. Isso ocorreu contra o americano Ben Shelton (6º), nas quartas do ATP 500 de Munique (6/3, 3/6 e 6/3), e diante do alemão Alexander Zverev (3º), na mesma fase do Masters 1000 de Monte Carlo (7/5, 6/7 e 6/3).
Ainda na temporada atual, em março, na quadra rápida, João Fonseca enfrentou pela primeira vez os dois melhores do mundo. Contra o italiano Jannik Sinner, então vice-líder, nas oitavas do Masters 1000 de Indian Wells, o carioca chegou a ter três set points no primeiro tiebreak (dois deles no saque do adversário), mas perdeu por 7/6 (6) e 7/6 (4). Já em Miami, diante do espanhol Carlos Alcaraz (1º), a maior proeza do número 1 do Brasil foi ter três breaks, todos salvos pelo rival, que dominou a partida.
Após o duelo na Califórnia, Sinner elogiou o brasileiro: “Acho que ele não tem medo. Ele gosta de arriscar. É muito agressivo. Tem uma mentalidade excelente. Sinto que ele está em ótimas mãos com sua equipe. Eles têm uma abordagem muito positiva em relação ao tênis, o que é muito importante, principalmente para jogadores jovens. Com certeza ele será muito, muito difícil de ser batido. Ele já é muito difícil de ser batido, mas no futuro será ainda mais. Definitivamente, é bom para o esporte tê-lo.”
Uma das lições que o carioca certamente aprendeu em jogos contra rivais desse porte é que as poucas chances que surgem devem ser aproveitadas. Desde a marcante vitória sobre Rublev, João Fonseca vem mostrando maturidade, dosando melhor sua incrível força nos golpes e, por vezes, variando as potentes batidas com curtas e/ou subidas à rede. Há dois dias, na maior virada da carreira — a única após estar perdendo por dois sets a 0 — sobre o croata Dino Prizmic (72º), o número 1 do Brasil demonstrou tudo isso.
Aos 39 anos, Djokovic, recordista de títulos de Grand Slams (24) e de Masters 1000 (40), não está na mesma forma de outras temporadas, mas sua enorme experiência e coleção de troféus o fazem lutar até o final. Com a surpreendente derrota de Sinner, que buscava o único Grand Slam que lhe falta, para o argentino Juan Cerundolo, restou apenas um ex-campeão de torneios desse nível: Djokovic. As quatro últimas derrotas do sérvio em competições desse porte foram para Sinner e Alcaraz (desde Paris, em 2025). Alcaraz, lesionado no pulso, não disputou Roland Garros. O espanhol superou Djokovic na semifinal do US Open do ano passado e na mais recente decisão do Australian Open. Já Sinner levou a melhor sobre o sérvio nas semis de Paris e de Wimbledon, ambas na temporada passada. Resta saber se João Fonseca vai frustrar a busca do rival pelo 25º Slam ou se o recordista dará um passo enorme para nova conquista.
Fonte: Lance







