EDUCAÇÃOParlamento catarinense realiza seminário sobre modelo educacional chinês

A Assembleia Legislativa de Santa Catarina deu início nesta segunda-feira (29) ao seminário intitulado “Educação na China – 1980-2050: Do Mundo Rural ao da Ciência e Tecnologia”, uma programação de cinco dias voltada à análise da trajetória do sistema educacional chinês e sua conexão com o crescimento econômico, científico e tecnológico do país asiático. O encontro segue até sexta-feira (3) no Plenarinho Deputado Paulo Stuart Wright, localizado no Palácio Barriga Verde, em Florianópolis, e reúne gestores públicos, professores, acadêmicos e alunos interessados em conhecer a experiência chinesa e discutir sua aplicabilidade na formulação de políticas brasileiras. A iniciativa é coordenada pela deputada Luciane Carminatti (PT), em parceria com a Escola do Legislativo, por meio do Núcleo de Inovação, Pesquisa e Projetos (NIPP).

Todas as atividades serão ministradas pelo pesquisador, escritor e especialista em China Milton Pomar, que realizou sua primeira visita ao país em 1997 e, desde então, monitora de perto as mudanças econômicas, sociais e educacionais na nação oriental. Autor do livro “O Sucesso da China Socialista: 1949-2025”, Pomar examina a evolução chinesa desde a Revolução de 1949 até sua consolidação como uma das maiores economias mundiais. De acordo com o pesquisador, um dos feitos mais notáveis do modelo chinês foi a retirada de aproximadamente 800 milhões de pessoas da pobreza, combinando planejamento estatal, ampliação da educação e avanços científicos e tecnológicos.

Para Pomar, entender o percurso da China requer o reconhecimento de sua história milenar e do papel central da educação na transformação do país em uma potência global. Ele observa que quase cinco mil anos de história documentada representam um acervo de conhecimento que impulsionou inovações científicas, tecnológicas e culturais além das invenções mais conhecidas, como o papel e a pólvora. O especialista enfatizou que o êxito chinês está diretamente relacionado ao tratamento da educação como uma prioridade de Estado.

“Enquanto a China atingiu mais de 95% de alfabetização e conta com cerca de 44 milhões de estudantes universitários, o Brasil ainda enfrenta aproximadamente 30% de analfabetismo funcional, índice que prejudica o desenvolvimento econômico e social do país”, afirmou Pomar. O professor também destacou o investimento contínuo da China na formação de capital humano. “Desde o final da década de 1970, o país enviou mais de cinco milhões de estudantes ao exterior para cursos de graduação e pós-graduação, permitindo que esses profissionais retornassem com conhecimento e experiência para alavancar o desenvolvimento nacional”, acrescentou.

Na avaliação de Pomar, o Brasil precisa debater a educação como uma estratégia de desenvolvimento, e não apenas como preparação para o mercado de trabalho. Para ele, é crucial combater o analfabetismo funcional, expandir o acesso ao ensino e capacitar a população para os desafios da era digital. Outro ponto abordado foi a relevância da infraestrutura para a universalização da educação. Pomar notou que, assim como o Brasil, a China concentrava sua população no litoral, mas conseguiu reduzir desigualdades ao levar indústrias, universidades e investimentos para o interior do país.

“A expansão da malha ferroviária de alta velocidade foi um elemento que facilitou o acesso à educação, ao trabalho e às atividades culturais”, destacou. Ele ainda afirmou que a rápida ascensão chinesa gerou um novo desafio global: a crescente lacuna entre o ritmo de desenvolvimento da China e o restante do mundo, situação que, em sua opinião, tende a provocar novos debates sobre os efeitos dessa disparidade no futuro. O progresso tecnológico, a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001 e iniciativas internacionais como a Nova Rota da Seda também foram apontados como fatores cruciais para a projeção global do país.

Segundo Milton Pomar, a experiência chinesa representa um modelo singular de desenvolvimento e oferece subsídios importantes para o debate sobre educação, inovação, planejamento estratégico e crescimento econômico. Ao longo dos cinco dias, ele abordará diversos aspectos da realidade chinesa, incluindo geografia, preservação ambiental, história, cultura, filosofia, organização estatal, educação, ciência, tecnologia, inovação, economia, infraestrutura, mercado consumidor, comércio exterior e as relações institucionais entre Brasil e China. A programação também inclui discussões sobre cultura e comunicação chinesas, proporcionando aos participantes uma visão abrangente dos fatores que transformaram o país em referência mundial em desenvolvimento científico, tecnológico e educacional.

O seminário ocorre de 29 de junho a 3 de julho, das 7h30 às 12h40, no Plenarinho Deputado Paulo Stuart Wright, no Palácio Barriga Verde, em Florianópolis. A programação detalhada inclui palestras sobre geografia e preservação ambiental, história moderna e contemporânea, cultura e filosofia, Estado e política, educação e inovação, mercado consumidor, economia e infraestrutura, entre outros temas.

Fonte: Assembleia SC

Picture of wilsonglopes

wilsonglopes

Related Posts

Hot News

Trending

Subscribe

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit.